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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Sós

26.06.18 | Cuca Margoux

A vida a dois padece de compreensão mais alargada. De uma maneira geral, o amor não colmata todas as lacunas relacionais e sabendo que tratamos da individualidade de dois seres, dificilmente a coordenação e articulação quotidiana se faz de ânimo leve. Defeitos e qualidades são apontados como factores diferenciadores. Mas o que leva dois seres, por vezes, com personalidades e formas de estar extremadas e opostas, a conjugarem as suas vidas? Pura química? Arrebatamento? O amor não se explica e tudo complica. Na realidade, estamos sós. É um facto. Nascemos sós e morremos sós. E, enquanto estamos sós, compreendemo-nos, entendemo-nos, respeitamos o nosso eu. Verdade seja dita que o mundo continua a girar, quando dois seres se decidem apartar. O tempo em conjunto nada diz sobre o futuro de uma relação. Acreditar e confiar um no outro, opera realmente maravilhas. O amor profundo, verdadeiro e incontornável, permanecerá sempre, mesmo depois de cometidos erros. É possível dedicarmo-nos a uma só pessoa, uma vida inteira. A parceria, a compreensão e o respeito, a comunicação, o amor que fica depois da paixão, é real e pode coexistir com a individualidade de cada um. Queremos sentir uma relação feliz, queremos fugir da solidão. O mundo é muito solitário. A vida, solitária por demais. Por isso, agarramo-nos ao outro, de corpo e alma, esquecemo-nos de nós um pouco, e amamos. Queremos amar. Sempre.

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