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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Seal

A ventania tempestuosa e gélida (inesperada, pelo menos, nesta altura do ano) não demoveu a multidão, que começou a preencher com o tom escarlate dos cachecóis distribuídos, o estádio, ponteando aqui e ali, movimentação anímica que adivinhava uma noite enérgica, musicalmente feliz e romântica e muito animada. Era o início de mais uma viagem etérea ao mundo do jazz cool e o público começava a integrar-se numa ambiência atmosférica envolvente e inebriante, compondo-se nas plateias e bancadas. Os HMB, uma banda portuguesa de Soul e R&B fizeram as honras da abertura e aqueceram ritmada e calientemente os corações, as almas e os corpos dançantes dos muitos que, entretanto, foram inaugurando com coros e coreografias improvisadas, o místico cenário que se ia construindo, em crescendo. Batidas contagiantes, boa onda, boa música, música com uma aura descontraída e padronizada, e o balançar cadenciado da banda e das vozes, em palco, contagiaram e conquistaram. Mas, a expectativa ia aumentando, à medida que se aproximava a entrada em cena do sempre misterioso e enigmático Seal. Os acordes soaram forte e a poderosa música, num crescer contínuo, invadiu os poros auditivos esfriados, arrebatadoramente. Ainda no escuro, o palco encheu-se de repente e a transição possante da noite para o dia, num cenário de design gráfico simples, singelo e eficaz, transporta-nos para longe, numa viagem pelo mundo dos sonhos. Seal é um show man cativante e electrizante. Ele é o espectáculo. Ele faz o espectáculo. Compreende-se, por isso, que a sua banda seja composta apenas por mais dois elementos, cuja discrição em palco, de todo abafa as suas talentosas, insinuantes e encantadoras performances musicais. Os momentos de dança de envolvência mágica, os momentos de romantismo a dois, os momentos de simplicidade acústica, as conversas com o público, sentidas, o envolvimento com o público, toda a concepção do espectáculo, bem como a sua condução demonstraram a entrega genuína de Seal aos seus ávidos ouvintes musicais. Ouviu-se clássicos e contemporâneos, slow music, soul music, heart music. Ouviu-se o que se queria ouvir. Escutou-se muito mais do que isso. Escutou-se mais além. Apenas um encore, mas valeu por dois ou três. Faltou “Secret”, mas, se calhar, o segredo é demasiado pessoal e pertence somente a cada um de nós, por isso, a imaginação cuidará dele noutras paragens musicais. A noite terminava, assim, mais quente do que começara e o público refiled e fortificado com musical happiness, abandonava o recinto, por certo, muito mais leve. Com a leveza de uma pluma elevada aos céus estrelados, numa noite mágica de luar.

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