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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Se Eu Fosse Eu (Histórias de Uma Vida Banal) - "Eu" (Parte II)

A máscara cobre-lhes a cara e são o que os outros querem que eles sejam. Sufocaram de agonia, numa batalha perdida por antecipação e que resolveram não prolongar, sem resistência, sem estratégia, sem plano de ação, sem controlo. A processualização funciona minunciosamente e permite uma adaptabilidade incondicional, sem arreios visíveis, sem contestação.

E ele ama, porque a ama. Porque a ama ele? Ela é o anjo perfeito, a princesa da sua vida, o doce na sua boca, o cheiro das flores primaveris. Colocou-a num pedestal e, no entanto, vai deixá-la cair, porque falha no mais importante. Não está segura. Falta-lhe tudo. Tudo. Está vazia. Ela, deusa da espontaneidade, da infantilidade, do sol iluminado, da cor e da inocência, da pureza e da brancura. Ela que se perdeu num cruzamento que, por alguma razão ainda desconhecida, lhe passou despercebido. Enganou-se e foi enganada. Como foi idiota. Como se expôs ao mundo e à vida. Como deu, deu, deu e nada recebeu. E agora, lamenta, mas quer tudo. Tudo a que tem direito. Egoísmo narcisista; o mix perfeito. E é assim que mudamos, que nos transformamos em algo que não somos nem queremos ser. Éramos bons e deixamos de o ser. E, simplesmente, passamos a ser más pessoas. Tudo o que havia de bom em nós, morreu, aniquilado, completamente arrasado pela compressão atómica do subtil disfarçado, mas castradora de uma sociedade decadente, mimada e consumista, cujos valores se perderam algures num tempo que passa sem passar no espírito empreendedor falhado.

E como pode lutar-lhe? Fugir-lhe? Ele parece mesmo apaixonado por esta fantasia surreal de princesa perfeita. Alguém a pode salvar? Alguém a quer salvar? Alguém quer mesmo salvar alguém? Só é preciso simplesmente que cuidem dela. Pouco pede. Ou pede demais. Mais que tudo. Ela, que era Ela há bem pouco tempo. E que o deixou de ser sem o perceber. Ela foi. Ela era. Ela seria. E se Ela puder ser finalmente? Ela sou Eu. Ponto final. Ou não.

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