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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Se Eu Fosse Eu (Histórias de Uma Vida Banal) - "Eu" (Parte I)

Diz-lhe que a ama a toda a hora. Será possível ainda acreditar nessa fantasia alada e inconsequente? O Amor perdeu-se para sempre. O seu coração esqueceu-o e a alma o maldiz. Bater no fundo, afundarmo-nos como lixo, no lixo, na lama espraiada da solidão, no inferno desenhado pelas claves de sol pautadas na partitura do outro lado do caminho do além, leva-nos a meditar racionalmente sobre todas as nossas experiências emocionais e irracionais. A vida não nos permite deixarmo-nos levar na onda impulsiva dos sentimentos estupidificantes do bater desregrado do músculo vermelho temporariamente adormecido. Massacra-nos e tortura-nos a seu belo prazer sem se preocupar com as consequências ou com aquilo que nos deixa pensar e sentir e sofrer e viver e experimentar. Cala-nos a boca de queixumes feita, trava a língua aguçada de raiva incontida, reprime o fluir do subconsciente desprendido e que se sonha livre no céu vasto, grande demais para nos abarcar a todos e nos abraçar a todos e nos revigorar a todos com a sua energia azul positiva em forma de nuvem branca pacificadora.

E ele insiste. Sempre. E ela sufoca, porque já não acredita. Nada disto é real. Não pode ser. Ela, que teve o Conto de Fadas, a ilusão do Amor. Morreu um pouco e ainda morre aos bocados que vai deixando caídos por aqui e por ali, na sarjeta imunda para onde os atiramos quando não sabemos muito bem o que fazer com eles ou como escondê-los. Bocados dela perdidos, irremediavelmente perdidos.

Vai andando, seguindo em frente, ou para o lado, ou para trás, não sabe bem. Só não pode estar parada. E foge. Do ser feliz. Do simplesmente ser Ela. Verdadeira, tal como Ela realmente é. Ela. Eu. Porque é que ser Ela é tão difícil? Tão cansativo, tão desgastante? Porque não a compreendem? Porque não a querem compreender? Porque não vêem a dor dilacerante que a consome? Porque não querem ver? Porque, minha parva, já todos sabem o fim da história. Já todos passaram por ela. Já todos a viveram e sabem em que podem ou não podem acreditar. Acreditar não é viável, nem socialmente correto. A estatística e o status quo, a standardização anunciada ao mundo do fenómeno comportamental eficaz e eficiente reproduz apenas uma parte da verdade, mas é aceite sem reservas de maior, é globalizante e de consumo rápido.

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