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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Os Cheiros dos Outros

Os cheiros dos outros são os nossos cheiros. As nossas próprias realidades e vivências olfactivas. Os cheiros reais que nós sentimos nos outros. As nossas experiências olfactivas transcendem e transpõem-se vibrantes nos outros seres em movimento que, alheados de pensamentos que se concentram em insignificâncias cabalísticas, se abstraem da nossa teorização exteriorizada e pragmática. Os cheiros variam consoante o contexto, o cenário ou a envolvente que trilhamos. Os humores também variam invariavelmente. O nosso estado de espírito canaliza para o momento olfactivo as suas mutabilidades probabilísticas e preconiza todo um empirismo sensorial que eleva os sentidos e insta a estimulação neural. A sensação perfumada do nosso mundo de olfactos experimentais passa a fronteira do desconhecido e revela-se nos outros. Queremos inebriar-nos com aqueles cheiros únicos, do nosso passado, da nossa infância, da nossa vida em turbilhão, nos outros. Então, a que cheiram os outros? Não podem cheirar só a nós. Essa máxima é inviável. Os outros têm mesmo de cheirar a si. Cheiros só deles. Únicos e exclusivos. Porque a nossa essência corporal diverge e viaja por estados sequenciais diferenciais que enchem o ar de odores que rotinam as nossas costumeiras sendas imateriais e que são só de cada um. Há-os desiguais. Consternadamente, desiguais. O cheiro de cada um é característico e, portanto, impassível de troca. Talvez seja passível de vicissitude destoante e ponderada, mas não perpetuável na irrisória insignificância do tempo e do espaço ausente. Os cheiros existem. Se mudam ou não, se os conseguimos mudar ou não, são pressupostos feitos de suposição e potencial exinanir. Apenas temos de os aceitar como fazendo parte de um todo partido, feito de mil e um bocadinhos que cheiram daqui e dali, a alguma coisa ou coisa alguma. Inspiremos, por isso, o que nos rodeia e deliciemo-nos com o que os cheiros dos outros nos têm para dar.  

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