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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Omara Portuondo

Aos 85 anos, a Diva Cubana Omara Portuondo continua com uma capacidade invejável de contagiar hipnoticamente o público, de fazê-lo vibrar e dançar até mais não, até mesmo aquele mais reservado, friorento e discreto, de forma verdadeiramente sublime! Mais uma noite ultra hiper ventosa que, apesar de não vaticinar inicialmente o acompanhamento devido e focalizado nos concertos em cartaz, porque o mundo parecia querer congelar até o mais apaixonado coração latino-americano, acabou por revelar a entrega total da assistência emocionada, que resistiu hirta, apesar dos tiritares, até já bem depois da meia-noite, aos sons calientes e sedutores da mexida cubano-espanhola que, numa parceria conseguida, complementar e criativa, encheu de muito boa música os jardins do palácio. A abertura foi uma refrescante surpresa em sonoridades, numa parceria muito curiosa e por demais interessante entre batidas angolanas e portuguesas, num palco onde se misturaram artistas de diversas nacionalidades, numa fusão musical e cultural profusa em ritmos de influência africana. O público cantou ao som do repertório de Mestiço, uma parceria muito feliz entre o popular cantor angolano Paulo Flores e o nosso sempre grande Luís Represas. A música que fica no ouvido, canções oldies e outras mais refrescadas, e a dinâmica de improviso e afectos quase epidémica do duo em palco, bem como das sequências musicais cadenciadas, propagaram uma boa onda que encheu as almas resfriadas do público mais céptico, ainda em notório aquecimento musical, mas que se rendeu, sem dúvida alguma, nos acordes finais. Depois de um intervalo, que podia ter sido bem menos espaçado, porque os concertos têm um determinado ritmo que não deve ser quebrado, entra em palco, triunfalmente, o espanhol Diego El Cigala. Com a sua voz latina rouca e poderosa, demove as brisas mais ventosas, que teimam em ficar, com intenso sentimento e muita emoção, típica daqueles que cantam em uníssono e entrega, com a alma alvoraçada e com o coração flamejante. Mas, é quando a Diva enche com a sua cor muito especial e com a sua vivacidade e energia invejáveis, o nosso campo de visão, que o entusiasmo e a rendição do colectivo se faz verdadeiramente sentir e os aplausos ecoam fortemente pelos jardins, numa efusão desalmada de contentamento generalizado. Ainda com uma vitalidadade espantosa que guia e incentiva a sua banda, Omara simplesmente encantou. Mais uma vez, o poderosíssimo sentimento, a envolvente emoção e emotividade, a voz com picos intensíssimos de entoação espantosamente potentosa, a dança característica e os movimentos bem ritmados elevaram, nas alturas, a lenda tornada realidade desta verdadeira e merecidíssima Diva da canção, da cultura e da história cubanas. Muitos momentos de frequência inebriante foram criados, com uma tal entrega aos sons latino-americanos, fazendo a plateia levantar-se impulsivamente e deixar a liberdade dos movimentos fluir nos seus corpos, entregando-se, assim, a um dos prazeres mais prazerosos e deliciosos que culmina na dança a solo ou em duo. Um espectáculo único, delicioso e verdadeiramente preenchido, que aqueceu mais uma noite de verão descomedidamente invernoso.  

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