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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Vale

27.06.18 | Cuca Margoux

A estrada por demais percorrida, encanta de novo. Serpenteia a montanha gigante, repleta de verde. Parecemos entrar numa outra dimensão. A natureza esmerou-se, por aqui. Ao longe o imenso vale. O rio corre ligeiro bem no meio, rodeado de boa pastagem para o gado e caminhos pedestres por desbravar. Aquele vale, único e maravilhoso, encanta e delicia. A paisagem inebriante leva-nos numa viagem ao passado recente. Outras eras, outras gentes. Os miradouros, ao longo do caminho, são paragem obrigatória para as fotos incontornáveis. Aproximamo-nos do covão. O rio nasce já ali. A nascente discreta, espreita por entre o arvoredo e corre com a transparência iluminada da natureza, num sulco aumentado e orquestrado pelas mãos antigas do gentio autóctone. Atravessa o covão onde, uma vez mais, o verdejante olhar e o doce escutar de água corrente, se aprazem numa festa conseguida de humana natureza. Apetece ficar. Deitar num rochedo e olhar a montanha gigante, o céu azul, a vida à nossa volta. Silêncio pacífico. Os humanos foram esquecidos, por breves momentos. Abandonamos o covão. O rio faz o mesmo e continua pelo vale abaixo. Perdemos, por vezes, o seu sentido, porque se embrenha lá mais para dentro. Vamos seguindo a estrada, estreita e inclinada. Olhamos para trás e deleitamos a vista com a imensidão sobrenatural de um mundo mágico e perfeito. Deixamo-nos levar pelas histórias e lendas do vale. Aproximamo-nos da vila. A natureza deixa o homem entrar, de novo. E assim, descobrimos a simplicidade do que ainda é belo.