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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Tempo das Crianças

Naquela manhã primaveril de início de estação, o pátio estava extenuantemente animado. Rodas de crianças brincavam, outras corriam, outras ainda limitavam-se a comprometimentos distanciados com os adultos vigilantes, na esperança de libertarem, ainda que momentaneamente, as suas energias infantis acumuladas nos, não raras vezes, cubículos em que habitavam. Os guinchinhos ensurdecedores e repetitivos repercutiam-se alegremente pelas paredes limitadoras do pátio das brincadeiras. Ser criança é um estado de alma e, por isso, muitos crescidos, nostálgicos de tempos idos, saudosos da sua infância inocente e feliz, espreitavam pelos vidros escurecidos, pela vida e pelo tempo, das suas casas. Para onde foi toda aquela força interior e exterior que tanto admiramos nas crianças? Quando é que a perdemos? Já todos fomos crianças, um dia. Ou não. Há quem tenha deixado para trás essas alegorias metafóricas ilusórias de réstias de trajectos perdidos e tenha dado aquele salto quântico que teletransporta intantaneamente para a fase secante dos big brothers. Onde ficou o Tempo das Crianças? O Tempo de ser Criança? As faces rosadas e a doce, cálida transpiração enfrentam agora uma rajada intempestuosa de mau humor instantâneo. Parece que alguém caiu. Está tudo bem. Faz parte do crescer. Cair e falhar. Errar e aprender. Reerguer e seguir caminho. A fome desperta sonorizações fisiológicas características. Aperta o estômago. Aperta a alma. Pronta e efusivamente retemperadas as desgastadas fontes enérgicas que não se sabe bem de onde emergem, o rodopio e a confusão retomam a rotina no pátio. O Tempo das Crianças é mágico. O Tempo das Crianças é o agora. O Tempo das Crianças é e será sempre um mistério neural de ligações por concluir que se espraia ao longo de vidas repreenchidas por inocência curiosa escondida no âmago do iceberg, de ponta apenas visível, que se quer protegido da tempestuosidade circundante e ameaçadora que é o descontrolo da vida.

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