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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Silêncio dos Sonhos

27.01.20 | Cuca Margoux

Que estranho adormecer,

Profundo azul encontrado,

Luar crescente minguado,

Branco doce e imaculado.

 

A beleza ofusca a razão,

Desconcentrada negação,

Tudo é possível num profuso sonho,

Histórias e enredos mil, profética confusão.

 

Alegria simples ou colorida,

Magia e romance intocável,

Futuro depois e agora presente,

Gerações ligadas, medo ausente.

 

Os sonhos transportam-nos,

Para todo o lado e mais algum,

Passado viajado inesquecível,

Memórias e nostalgia apetecível.

 

Ficção contada e vivida ou somente realidade,

Enredos turbulentos e inusitados,

Propósitos incompreensíveis,

Folclore puro e movimento estático, estados de espírito audíveis.

 

Imaginação sempre fluida,

Sem oponentes barreira visíveis,

Cenários multifacetados e despropositados,

Sonhos belos, mas eternamente inacabados.

 

Mas, onde está a sonoridade de um sonho?

Os sons que sonhamos e que não ouvimos?

Porque é que a fita é muda?

Onde se esconde o som que apenas sentimos?

 

Quem se esqueceu da partitura?

Onde se esconde a música?

Porque se calam as vozes?

Porque se esquece a falante postura?

 

Que estranho mundo de sonhos sem som,

De cantarolar somente mímico,

De barulho ensurdecedor esquecido,

De ouvido desperto, ainda que adormecido.