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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Nosso Povo Marinheiro

Olhavam o horizonte infinito e questionavam as preces atiradas aos céus, nos momentos mais prementes e incertos. Acreditavam que o mundo tinha um fim algures em nenhures e a esperança de encontrar novas terras movia a labuta dura que imperava no convés. Deixavam a família para trás, lá longe, no continente seguro, carregados de ilusões e desertos por aventuras mil. A monotonia no reino cansava. Procuravam riqueza e conhecimento, encontravam, muitas vezes, miragens especulativas surreais que abalavam mente e corpo, largamente fragilizados pelas viagens eternas e pelas gravosas lacunas na higiene, asseio e nutrição. Os temporais abafavam o balanço incessante da nau. Os medos eram escondidos, os receios mortos. A lei do mais forte prevalecia. Ainda assim, uniam-se na desgraça. Continuavam com os olhos sôfregos postos no horizonte infinito. Ávidos de terra, ávidos de sonhos, ávidos das paisagens reais, de verde e castanho. As sombras da noite fazem esquecer o azul do dia. A brisa toca de leve as vestes frias dos corpos quentes. As faces queimadas pelo sol diurno já nada sentem. Esqueceram a sensibilidade das suas terminações nervosas. As estrelas e a lua aparecem. Surgem naquela escuridão imensa e efémera. As batalhas travadas pelos astros são entretenimento esporádico, mas apetecível. É que, também aqui, há monotonia. E rotina. E nada de novo. Apagavam-se as memórias anteriores, para as encher de coisas novas. Coisas que não surgem nunca. Mas, o nosso povo é forte na fé e na crença e, um dia, a nau chegará a bom porto e os seus marinheiros voltarão a pisar terra firme e voltarão a não mais deambular na penumbra fantasmagórica encarnando as almas penadas perdidas de outrora.

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