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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Mar do Calhau

O dia amanheceu ameno, ainda que com nuvens de surpresa incerta na serra, e, por isso, a descida, auspiciosamente, tenderá a ser pacífica. Roupagens apropriadas, farnel e mochila completam o delineamento geral da coisa. Partimos para o Calhau, a praia do sítio. O início é sempre emocionante. O caminho empedrado e descuidadamente alheado do conceito de manutenção regular, é abruptamente inclinado, o abismo abismal e as ravinas alarmantemente assustadoras. A ideia é não escorregar comicamente, sobreviver aos copiosos enxames de abelhas que povoam desde os tempos de infância aquele bocado inicial e desfrutar da paisagem deslumbrante que nos envolve, sempre com o mar como pano de fundo. O calor já aperta e aparta os nossos sentidos, crispando a concentração e tornando o descuido um infortúnio. O caminho abateu em algumas passagens. Todo o cuidado é pouco. A descida é progressiva e constante, com paragens reduzidas ao mínimo essencial para evitar imprevistos cataclísmicos. O mar tenta-nos lá em baixo. O cenário verdejante que nos abraça e os cheiros veraneantes despertam-nos de uma letargia improvável que se foi apropriando da alma distraída pelos pensamentos estúpidos sobre os acontecimentos do dia anterior envoltos em mistérios tais que outras histórias, mais tarde, se contarão. Estamos quase na recta final. O pouco casario, em recuperação, já se vislumbra no fim da senda. Os últimos metros são desconcertantes na ansiedade despropositada e na felicidade subjectivamente espelhada em cada qual. O arco de entrada triunfal no Calhau, confirma-nos a chegada apoteótica. O Mar do Calhau é, enfim, conquistado. Serenos, respiramos de novo a chama daquela praia única, de calhaus bem ovalizados repleta, cujo mar azul, límpido, cristalino e de águas temperadas, nos espera para, assim, nos revitalizarmos e afastarmos a anunciação de chuva vinda do leito da ribeira, a qual parece, para grande desconsolo nosso, iminente e imparável. Sorrimos e deixamo-nos levar pela memória fotográfica que perdurará do Mar do Calhau, ainda que já pingando as certezas molhadas pelo micro clima espontâneo que ali se recria ciclicamente.

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