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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Livro Aberto do que Não Sabemos

31.05.19 | Cuca Margoux

Não prevemos o futuro e o destino prega-nos partidas hilariantes. O mundo continua a girar, mesmo que já não estejamos aqui. A vida continua. O tempo não pára, segue a hora da contemplação infinita e surpreende pela nostalgia daquilo que queremos saber, mas que nunca saberemos. Fecha-se uma porta e abre-se uma janela. Onde? Não a vejo. Nunca a vi. O sonho de uma vida calma e pacífica, de uma história comum, com princípio, meio e fim, é o cenário de um surreal fictício inexistente. A inexperiência de estar ainda longe do fim, determina que o livro está em aberto. Há que enchê-lo. Há que escrever a história. Uma história. Uma história qualquer. Dinâmica, cheia, plena de felicidade, saber e imaginação. Esconde-se o que não se sabe, porque é feio não saber. Não que isso permita evoluir. Na realidade, é uma falácia, porque até permite. Crescer com o que não sabemos. Aprender de novo. Sujeitar-se à reprovação da ignorância inocente do ser sem sentido. Ou com sentido. Depende da perspectiva. Assim, o livro estará sempre em aberto para tudo aquilo que não sabemos. Porque o que sabemos mata-nos. Não deter informação, consome-nos, porque perdemos o poder de sermos maiores. Informação é poder. Poder é controle. O enchimento aleatório das páginas recria uma fluência de acontecimentos que desaguam num pranto adivinhado e numa esperança inglória de que aquele livro, sempre tão diferente dos outros, desigual de si mesmo, suplanta a previsão mais pessimista e remata o ponto final da inconclusiva versatilidade inibitória que se processa no desenrolar desta vida.