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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Lado Obscuro do Amar - Histórias de 1 Amor Surreal - "Procurar" (Parte I)

Lia atentamente naquele banco de jardim branco imaculado, suspenso do mundo à sua volta por tiras de jornal, um artigo indefinido de gossip wall streeteano compactado por humoristas financeiros sem mood e sem deep feelings, perdido nos pensamentos agudizados de outrora. Escapara-se-lhe por entre os dedos. Como tinha sido aquilo possível? Não o viu. Esteve ao seu alcance e perdeu-o. Nunca amou. Nunca o pôde nem conseguiu fazer. Procurava e procurou por todo o lado, desesperadamente, na rua, na avenida, no estádio, na loja, no supermercado, na esquina, na net, na ponte, na travessia, no trabalho, na rádio, na televisão, no portátil, no facebook, no twitter, no céu, na terra, no espaço, no real, no banal, na fruta, na comida, no teatro, no cinema, no raio, na seara, no livro, na roupa, na mobília, mas nunca o encontrava. As suas prioridades estavam há muito prioritizadas e aquela voz esganiçada ecoava na sua cabeça, alvoraçando o seu espírito com intempestuosas fantasias. A voz era contínua, irritante, aguda. Cantarolava sem nexo, conteúdo ou forma. Mas não parava. Não a sabia parar. Canta agora, canta depois, canta um dia, canta desapressadamente, canta em sustenido, em fá bemol, intragavelmente, imparavelmente. Masca a coca da pauta peruana e das cordilheiras nevadas e mergulha no precipício da dor de garganta acelerada pelo descontínuo desatinar do fio do carrinho de linhas. Procurava em todo o lado. Procurar. Um corpo. Uma alma. Calor. Ser. Inteligência. Beleza. Coração. Continuava a leitura iletrada de sons fictícios aeroespaciais percorrida nas linhas férreas das estações da vida. De repente, levantou os olhos, arregalou a vista e fixou um ponto. Parecia um ponto. Não, não era um ponto. Era uma sombra. Era um ângulo convexo desfocado de magia. Era uma silhueta espartilhada pela luz iluminada do anoitecer diurno. As gírias e as rotinas financeiras dos demagogos jornalistas, armados em cândidos inocentes angelicais escureceram no hemisfério vidrado do conto rígido e deixou-se levar. Olhou com mais atenção.

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