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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Lado Obscuro do Amar - Histórias de 1 Amor Surreal - "Existir" (Parte II)

Lá bem alto, no céu, no meio das estrelas e das luas faustinas apalaçadas, os Deuses cintilantes olharam os Seus Mortais e quiseram chorar, mas limitaram-se a seguir-lhes a vida, a rastrear-lhes os seus medos, as suas dúvidas, as suas angústias. Esqueceram, porém, a felicidade. Não a ensinaram. Não o puderam fazer, porque não a conheciam. No mundo dos Deuses, a felicidade é intrínseca, está no mais profundo das entranhas, da mente, do corpo esculpido, da alma e não se aprende. Os Mortais não tiveram mentores e o processo de aprendizagem do amor foi frustrado pelas experiências carenciadas de empatia, humildade, amizade, respeito e comprometimento que poderiam elevar-lhes o espírito desnudado de prazeres emocionais e espirituais, ainda que os carnais, naturalmente existissem e complementassem as necessidades básicas Maslowianas do ser e do sobreviver Neanderthalesco. E pronto, assim se explica este irritante e incompreensível erro do coração, que insiste em percorrer trilhos sinuosos e sufocantes e nos leva a amar quem não nos ama e a ignorar os que nos amam agora, ontem e amanhã. E depois, os Deuses esqueceram-se de avisar que o amor não vem sozinho, traz bagagem, contexto e conjuntura. Um invólucro muito especial que requer cuidados, também eles, muito especiais. Se viesse sozinho, seria tudo muito mais simples, mais fácil. Mas os Deuses aprenderam que os Mortais são tudo menos transparentes e, portanto, o complicómetro extremista faz parte da sua natureza profusa de variantes e variáveis indiscutivelmente instáveis. Os Deuses deixaram de se preocupar com o invólucro e remeteram-se ao conteúdo visível da obscuridade somática dos Mortais. E o arremesso à alma foi brutal. Vandalizou a essência pura e conspurcou tudo o que era belo e virgem. Assim, os Deuses desistiram dos Mortais e é por isso que eu, tu, ela/ele, nós, vós e elas/eles amamos quem não nos ama e aos que nos amam não conseguimos amá-los.

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