Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Espelho da Alma

Quando nos apagamos, caímos inconscientes, desmaiados, ou somos virtualmente mortos, temporariamente, por uma anestesia que nos eleva numa pluma macia ao tecto do bloco operatório, experimentamos a visão da alma e observamos o mundo fora de nós. O branco ecoa, mas numa ínfima fracção de segundo. Na realidade, não há depois memória dessa visão, mas o espelho da alma reflecte as vivências sentidas nas acções rotineiras do dia-a-dia. Somos capazes do extraordinário. Somos capazes do impossível. Mas, ainda não conseguimos compreender a essência de cada alma, o que move cada ser a querer ir mais longe, a ter uma infinita esperança no amanhã melhor e a não desistir perante as tempestades da vida madrasta. O que reflectimos nos outros, tenta ser uma aproximação envergonhada e discreta da flutuação inexplicável dos estados da alma. Nós somos a herança genética, transmitida de geração em geração, das almas que nos iniciaram, viajaram pelo nosso mundo e por outros, filtraram as boas experiências, aprenderam com as más, acumularam conhecimento e saber e fecharam a porta a todos aqueles que não querem acreditar no potencial humano espiritual. A racionalidade exige um afastamento consequente da espiritualidade emocional. As emoções, quer queiramos, quer não, continuam a ser secundadas. O curioso é o constante empolamento das suas práticas quotidianas na vida organizacional. O instigar da partilha das emoções, do ser emocionalmente inteligente neste reco-reco ensurdecedor de palavras ignóbeis pensadas, mas não ditas, transparece vontade quebrada de um espelhar de alma de cultura empresarial irreal e fictício. Assim, enquanto seres individuais, são-nos permitidos expressares efusivos e reais de afectos, pensamentos ou outras construções criativas do intelecto emotivo, de preferência dentro de portas. No entanto, em contexto laboral, as premissas são condicionadas por códigos mandatórios de estares contidos, regrados e controlados. É pois pertinente questionar se o espelho da alma interior, a que não mente, a que nos enche e nos dá vida, é esmiuçadamente espiado nos movimentos previsíveis da máquina humana cosmopolita. Em boa verdade, nunca conheceremos a alma de ninguém, nem através do seu espelho, porque não acreditamos no abstracto, no espírito dual ausente presente e porque as almas nunca voltaram, muito convenientemente, para conseguirmos interiorizar as suas versões vanguardistas, contemporâneas, terrenas e metódicas e acreditar nelas. O mito perpetua-se. A lenda cria-se. O enigma é. A alma espelha. Ou não.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub