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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Compêndio das Horas Infinitas

28.06.21 | Cuca Margoux

A inconstância mutável,

De um definir imortal,

Transpõe as horas mais negras,

Traz equívoco surreal.

 

Nos tempos finitos,

Em que a reviravolta definha,

A mente adormece e o sonho foge,

O estado de espírito é assombrado, e para bem longe caminha.

 

O profuso enraizamento material,

Revestido de planura ilusória,

Desponta no infinito mortal,

Concluí, por fim, aquela estranha história.

 

A fantasia nostálgica,

Que tudo compacta sem sentido,

Resume a alma angustiada,

Numa atribulação permanente, num suspiro incontido.

 

As horas vão passando,

As coisas vão crescendo,

O mundo vai mudando,

A vida sem logro vai finalmente aparecendo.

 

Zunido persistente,

Aglomeração de mensagens desconexas,

Comunicação premeditada,

Engano desviado sem pressas.

 

A síntese de um percurso,

De uma vida sem igual,

É fenómeno sem contorno mundano,

Cada qual é pura e simplesmente essencial.

 

O compêndio das horas infinitas,

Que se passam por aqui, neste mundo,

Igualam vidas extraordinárias algures,

Numa realidade paralela, num outro estado, talvez em nenhures.

 

Seja a verdade o ludibriar da alma,

A vida, o discorrer do engano espiritual,

Ou o corpo, a encarnação banal,

O que acontece, só cada um consigo leva, e isso é o fundamental.

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