O Compêndio das Horas Infinitas
A inconstância mutável,
De um definir imortal,
Transpõe as horas mais negras,
Traz equívoco surreal.
Nos tempos finitos,
Em que a reviravolta definha,
A mente adormece e o sonho foge,
O estado de espírito é assombrado, e para bem longe caminha.
O profuso enraizamento material,
Revestido de planura ilusória,
Desponta no infinito mortal,
Concluí, por fim, aquela estranha história.
A fantasia nostálgica,
Que tudo compacta sem sentido,
Resume a alma angustiada,
Numa atribulação permanente, num suspiro incontido.
As horas vão passando,
As coisas vão crescendo,
O mundo vai mudando,
A vida sem logro vai finalmente aparecendo.
Zunido persistente,
Aglomeração de mensagens desconexas,
Comunicação premeditada,
Engano desviado sem pressas.
A síntese de um percurso,
De uma vida sem igual,
É fenómeno sem contorno mundano,
Cada qual é pura e simplesmente essencial.
O compêndio das horas infinitas,
Que se passam por aqui, neste mundo,
Igualam vidas extraordinárias algures,
Numa realidade paralela, num outro estado, talvez em nenhures.
Seja a verdade o ludibriar da alma,
A vida, o discorrer do engano espiritual,
Ou o corpo, a encarnação banal,
O que acontece, só cada um consigo leva, e isso é o fundamental.
