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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Capitalismo e o Rock

30.11.17 | Cuca Margoux

Seria absolutamente impensável conjugar duas “religiões” antagónicas apartadas, num mesmo domínio plausível. A materialização concreta duma realidade irreal e perfeitamente casual, empobrece a comunidade e deixa-nos um vazio icónico difuso. Dois homens. Dois mundos. Duas carreiras. Duas vidas. Duas histórias. A verdade contrastante de dois percursos, um empresarial e o outro dedicado à música, que nos remetem para as estranhas coincidências da vida, tão frágil e finita. O capitalismo, discreto e reservado, abraçado, figura polémica e determinada, respeitada pela incontornável independência política, numa liderança reconhecida e marcada por sucessivos e constantes sucessos, uma brand que cresceu, alargou as suas áreas de negócio, a visão, desafiou com uma nova estratégia, expandiu e ganhou solidez, consistência, valor, posicionamento, lugar de destaque na economia nacional. A música, essa constante da vida que envolveu e cresceu na alma de um homem com uma guitarra. O rock, musa inspiradora, abraçou as notas da sua história, a partitura do seu tortuoso caminho. Boa onda, singularidade, carisma e profunda nostalgia, num mix de estares nunca verdadeiramente revelados. Assim, a união destes dois homens se faz numa das fases mais cinzentas do ciclo humano. Relembrar que somos todos diferentes nas nossas conquistas, mas iguais na nossa fragilidade humana, compreender que todos somos importantes e que temos um papel neste filme incerto e imprevisível que se chama vida, remete para a necessidade de continuarmos a respeitar a diferença, o dom, a particularidade de cada um, a referenciação única e preciosa prescrita nas nossas conexões genéticas e humanas, no que fazemos e no que sabemos e no que queremos passar às gerações vindouras. A história se escreveu. O luto se faz. O luto se sente. A marca ficará. A memória também.