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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Barco dos Sonhos Felizes

Na estrada escondida por uma qualquer mega floresta de gardénias encastradas ficticiamente, deambulavam as nascentes vivas de corpos celestes perfilados e de frenesim abrasivo disparatado, embalando um barco automobilizado que se deslocava lenta e despropositadamente, numa miragem real de opostos desconstruídos mentalmente. O Barco dos Sonhos Felizes, assim chamado porque o toque da magia antiga proporcionava imagens de rara beleza etérea e desconcertante, a um subtil e leve toque de pele das gentes viajantes, seguia um rumo desconhecido, alinhado com um horizonte ondulatório, muito pouco ortodoxo ou tão pouco linearmente esquadrinhado. Nele, aceitava-se o destino não traçado, o sonhado, as aventuras inconsequentes, indefinidas, e as vidas desprogramadas, imprevisíveis. Todo o mortal desejava o embarque naquele elemento náutico misterioso e feiticeiro. A feitiçaria abrangia um universo desmedido de efusivos indivíduos felizes, ou supostamente a desbravarem o caminho ainda opaco da felicidade eterna, que acreditavam na bondade da alma terrena e na fantasia mirabolante, mas esperançosa, de que o mundo subterrâneo, aquele que os povos de cima não vislumbravam, se enchia das tais gardénias perfumadas que libertavam um odor intenso e inebriante. O segredo dos Sonhos Felizes residia no perfume lançado pelas gardénias. Ao serem apanhadas, as mãos suadas contemplavam a textura do caule e este retomava a libertação da seiva da vida, que escorria e pintava as rugas mais profundas da pele nua. O conjunto destas ficções desurbanas garantia que o mundo seguia em frente, que as gentes viajantes, os povos de cima, os efusivos indivíduos felizes e afins, continuavam uma história inacabada, em contínuo, iniciada num qualquer promontório pacífico, com vista para o céu estrelado, num entardecer tardio e frio. O barco automobilizado lá vai na estrada, embalado ao som da natureza falante. Os sonhos felizes lá vivem, imaculados, qual preciosidade fechada num baú de sótão, bafejado pela boa fortuna. O sonho permanece. Todos acreditam. Os olhos que tudo vêem, protegem-nos do distante Paraíso e garantem que a segurança do segredo confiado ancestralmente, passará à próxima geração, nas lendas orquestradas sabiamente. Assim, estamos vivos e a sonhar. No Barco dos Sonhos Felizes.

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