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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Arquivo Radiofónico

As ondas sonoras começaram a ecoar no ouvido destreinado para este tipo de coisas. Nunca se tinha emitido qualquer tipo de sonoridade, proveniente de um aparelho tão moderno. A experiência pseudo científica levara ao rubro o grupo de pequenos jovens empreendedores, arrebatados pelas descobertas recentes de Marconi. E porque não, ensaiarmos nós, pensaram inocentemente. No início, apenas se escutavam ruídos irritantes e desconexos e estática viral. Durante dias e semanas e meses, foram aperfeiçoando a tecnologia primitiva, seguindo as dicas e conselhos de sábios experientes e filtrando, das leituras ficcionais dos mestres do suspense criativo surreal ou irreal, aquilo que potencialmente poderia provisionar conhecimento técnico e inovador. A criatividade estava esbraseada e a efusividade extravasava a cada discussão mais ou menos tecnologicamente filosófica. O certo é que, sem ninguém saber, certo dia (hoje), as coisas tomaram forma real e a prova concreta teve lugar. Os ruídos irritantes e desconexos e a estática viral deram espaço a algo mais consistente. Som. Sonoridade. Trinados vozeados. Algoritmos de vozeamento projectado. Definições claras e precisas. Vozearia com nexo. Musicalidade hertziana. Concertos cadenciados e rítmicos. E o ritmo da projecção sonora era inebriante. O empreendimento ganhava contornos de sucesso conquistado. A singularidade do momento era memorável. Mas, de repente, tudo se quedou. Silêncio mudo. Escuridão auditiva. Desilusão premente. Frustração descontida. O precioso momento passara. Apenas ficara a sensação de tomada temporária, frágil e passageira. O arquivo radiofónico da memória colectiva daquele grupo de pequenos jovens empreendedores maravilhara-se para sempre, ainda que numa curta e efémera conjuntura sonhadora de contextualização duvidosa empolada pelo êxtase dos sentidos. O hemisfério esquerdo rendera-se. A razão providencial e metódica, regrada e científica fora, provisoriamente, superada. Jamais esqueceriam o fenómeno. Jamais o seu mundo seria o mesmo. Jamais o sonho seria ultrapassado e esquecido. As mentes brilhantes irradiaram saber e conquista e o seu futuro, espera-se, agora, menos banal e previsível. Haja aventureiros. Haja descobridores. Haja cientistas. Haja inovadores. Haja criativos. Haja empreendedores.

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