Novos Escritos da Era Bélica Pós-Covid - Dias 436 a 445 - As Encruzilhadas Perspectivadas
(Os sonhos desfazem a vida sedenta de acção e movimento e contenção descontida e descontinuada. Na senda de uma sombria aparição imaculada, inspiradora e vivencial na sua determinação inconstante, o mundo regride aos poucos na redundância de um qualquer aparato libertador, que se pauta pelo cruzamento de ideologias, demagogias, fobias, atrofias, e outras ias afins. A imaginação tudo pode e tudo figura. O impossível torna-se possível, o indizível dizível, o falível infalível, o indemonstrável demonstrável, o inimaginável imaginável. O condão de fazer parte de uma peça bem maior é fundamento para o início de uma nova encruzilhada, agora inscrita nos genes improváveis que se vão construindo quando o tempo vai passando cada vez mais opaco e afunilado. O que perspectiva? Nada de novo na curva que lá vem.) Os postigos, outrora cheios de vida e de sorrisos, esvaziaram. O medo chegou à janela, e à porta. Todos se escondem. Nada podem dizer ao mundo. O túmulo da expressão é a casa de cada um. Não sei o que é liberdade. Não sei o que não é. Múltiplas encruzilhadas que são partilhadas pelo comum mortal, por esse mundo fora, na guerra da Ucrânia, na guerra em Gaza, na guerra que muito assombra sem distinção nas terras finitas do planeta, traduzem o necessário questionar sobre o que estamos aqui a fazer e para onde queremos ir. Já não mais nos preocupa o passado, porque esse já aconteceu, não pode ser mudado, no entanto, o futuro, esse é passível de redenção, de inovação, de melhoria e de boa mudança. Aceitemos que a mudança é possível, mas que nem todos a perspectivam da mesma forma e que, portanto, o seu condicionamento é volátil. No princípio dos tempos, tudo seria mais fácil, o tempo existia e não nos consumia. Agora, o tempo fugiu, a liberdade perdeu-se e a doutrinação é metodologia. Ainda seremos capazes de pensar, de criticar construtivamente, de criar beleza e coisas boas por nós próprios? As encruzilhadas que se vão perspectivando política, económica, financeira e socialmente desapontam devido à intrincada estratégia desviadora de razão harmoniosa e flexível, desajustada, portanto, aos quês e aos porquês da frágil existência. Manifesta saudade dos tempos em que ainda havia tempo, em que a família se via, em que o amor não era feio. Partir, depois de exploradas todas as potenciais benévolas encruzilhadas existenciais é um eufemismo. Sonhar, um contratempo. Viver, o chocolate inalcançável. Ponto por ponto, o espaço encolhe, a nova encruzilhada torna-se redundante e o tempo deixa de fluir. Estáticas, as estátuas da humanidade perdida emudecem e fecham os olhos. Desviam o coração e acertam na razão com senão. O que esperar destas encruzilhadas dissimuladas? Que perspectiva aceitar? A essência que se quer diferente, singular e única em todos o dirá. Ou não.