Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Novo Escritos da Era Bélica Pós-Covid - Dias 391 a 411 - Rescaldo de Uma Qualquer Poesia Política Mundana

30.03.24 | Cuca Margoux

(Depois de um quase tudo enviesado ou revivido ou destinado, o compêndio da nova velha história avança e regride ao som de uma qualquer banda sonora descartada outrora. Não se sabe o que não se conhece, não se aprende o que não se quer, ou pode. O tempo determina que as coisas aconteçam numa sequência cíclica, que vai mudando irrisoriamente o mundo através de discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos conservadores, mais ou menos visionários. Empreender recomeços e definir rumos alternativos é uma esperança condensadora de confusa premeditação contraditória, numa senda já trilhada, num volver conturbado. Não calar o som da alma, o grito do coração, a fuga alheada da mente, é desdizer dito alvoraçadamente pela essência escondida no interior de um corpo continuadamente quebrado. As vidas paralelas acontecem, vivem e padecem, acreditam, aguardam ainda em sonora mudez. O que se vê, o que se experimenta são contrários direitos, ou certos tortos, ou errados correctos, ou linearidades convexas. Certo é que um pouco de tudo existe, um pouco de todos subsiste, e a poesia da letra torta assiste a um renovar ritmado das eras e das civilizações, que ora crescem, ora definham, mas que sobrevivem,no tempo e no espaço, com continuidade e resiliência.) A volta das notícias mais ou menos certas, mais ou menos inflamadas, descreve acontecimentos acontecidos e por acontecer. Não mais nos espantamos com o desenrolar dos eventos e das manifestações possivelmente eruditas, que causam espanto e que conquistam, ou não. O discursar retórico, enfrenta o assombro da falácia descrente em crescendo, inibida apenas pela tardia maturação da desconstrução equívoca de vozes mais ou menos iluminadas e ousadas. O desafio de enfrentar o destino mundano, recriando a poesia de um tempo que já passou, retoma a linha política outrora quebrada, que, neste tempo, tudo engendra para renovar votos abstidos em silêncio que perdurou eternidades (in)consequentes. O dever da chama acesa, da reconquista da nação alada, do espírito mortal veemente, redefine a estratégia determinista da conquista equívoca de algo mais, de algo maior. Mas, o desengano é engano incerto. A mundana poesia reescrita num rescaldo fechado e condicionado de uma volátil época feita de renegociação quase premeditada, embebe de ilusão e optimismo a verdade escondida. E, voltamos ao que não se sabe e não se aprende. Tudo ter será poder vil que acopla ideais e visões e estados de mente, mais ou menos confinados pela pedagogia de uma educação mais ou menos formalista, que escreve poesia narrativa sem sentido e sem alma. Assim, a espera pela poesia política mais do que mundana continua sinuosa e imprevista, frenética e resumida, iludida e castrada. O futuro é aguardar sentado. A lista dos desejos é inalcançável. As coisas continuarão a acontecer desviadas, paralelas a outros tempos, outros espaços e outras glórias. Seremos pó de estrelas no céu escuro da Terra, outra vez. Mas, abençoados seres inocentes e ingénuos, seremos.