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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Imagens Incertas de Nós

Os encontros e desencontros desregulam a estabilidade emocional funcional, naquele equilíbrio mundano frágil e periclitante que descarna os estados de alma ocultos. A pergunta pertinente prende-se com a ignóbil objectividade inconsequente dos traçados milenares de uma espécie desregrada, narcisista, egocêntrica, egoísta e arrogante. Potenciada que está a descaracterização imaterial neural, numa devota monotonia ambígua e bipolar, subjuga-se com consequência incerta e desmotivada, laivos de bom senso expectante, perdido e difuso. Orar divino se regala com as tempestuosidades terrenas de seres que não se compreendem, nem se querem compreender. Na incompreensibilidade dessas imagens projectadas de nós, num espaço claustrofóbico e irreal, surpreende ainda que a razão ausente se coadune para alimentar o ego fatídico dos murais clérigos da guarda à emocional premissa humana. As incertezas escudam-se assim, lentas no discernimento abusivo da fomentação escrivã da mata concelhia que teima em florescer mais do que o permitido. Florescimentos perfumados de brisas marítimas resguardam, invisível e subtilmente, os movimentos cadenciados de nós interiores. O exterior fecha-se, reserva-se nostalgicamente ao abstracto momentâneo do pavor sorrateiro que aguarda na esquina da falha alada monumental. O espelho esconde e mascara a dualidade perdida, na tina matinal de água pura, límpida e serena que propicia um banho casto e fluído. O banho da mente abandonada, no posto fronteiriço do equinócio cerebral, no cruzamento dos hemisférios e do córtex. Afugenta o azar, o espelho real, intacto e permissivo. Vislumbra-se o passado, o presente apagado e o futuro desprevenido. As imagens sucedem-se, num corrupio voraz e afunilado. As imagens incertas de nós espraiam o mar da vida, do ser descoberto, das verdades e das mentiras obtusas, da história inacabada das coisas, dos seres e dos factos inconcretos. Espera-nos a incerteza, o imprevisto, a esperança e a fé. Conquista-nos o tempo e o espaço. Os anos passam e não voltam. A vida passa e não fica. O que fica das imagens incertas de nós? O vazio. Nada. Ou memórias. Saudades e temperos insulares de retalhos feitos. Na criação reside a contemplação e o segredo da alma. O espírito persiste e conquista etapas. Só assim se alcança o futuro por fazer, mas que o destino determina já estar feito. Não haja ilusões.

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