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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Famílias Marcianas

É inconcebível exteriorizar os pensamentos mais profundos, compartimentados nos cubículos miniatura da encruzilhada cerebral que ramifica e prolifera, algures, num crânio que se crê, profusamente compactado. Ditam as regras que o comedimento se designe contenção, restringida aos princípios e valores socialmente aceites para o item da família. Mas as famílias são desiguais. Ou iguais na diferença. Ou diferentes na igualdade. O problema académico realista que fomenta a curiosidade inovadora intelectual, que faz dilatar extensões deterioradas de massa encefálica pensadora, reside concisamente na inconstância diferencial dos membros constituintes nesta familiaridade abstracta, regida (ou não) por laços biológicos ou pura e simplesmente afectivos. Na realidade, as heranças genéticas são bastante constrangidas e limitadas na definição de requisitos circunstanciais, tendo em conta a ambiência de contextualização em que os indivíduos, em família, se inserem e desenvolvem as suas actividades diárias. No individualismo, o controle é permitido substancialmente e concretizado de forma mais eficiente, eficaz e produtiva. No entanto, no seio familiar, as interacções comportamentais e atitudinais são voláteis, mutáveis, descontextualizadas, desregradas e imprevisíveis. Os indivíduos são efectivamente diferentes intelectualmente, divergindo na capacidade intrínseca de filtragem e assimilação de experiências, vivências, saber, conhecimento, progresso e inovação. Daí que as nossas famílias marcianas se tornem um mistério terreno concreto. Nada é expectável. Tudo é possível e tudo pode acontecer. O determinismo consubstanciado é uma fantasia aparente, que decorre duma necessidade absolutamente premente de conquista ilusória de patamares existencialistas pré-definidos e pseudo programados. A diversidade familiar, por outro lado, permite a ideia visionária de que não estamos estagnados, nem parados no tempo. A riqueza da nossa contribuição conjunta é maior do que a individual. Ou não. Nada é igual. As famílias, afinal, diferenciam-se. Os indivíduos diferenciam-nas e transformam-nas. Ao nos obrigarmos a aceitar a diferença e a divergência, criamos instantaneamente novos laços evolutivos que perspectivam sustentabilidade e originalidade presente e futura. Quando nos confrontamos com argumentação e posição oposta, temos de redefinir e delinear novas estratégias, nova visão, nova missão e novo posicionamento conjuntural. Assim, todas as famílias terrestres são marcianas, porque têm de aglomerar obrigatoriamente génese extra-terrena na capacitação de adaptação às vicissitudes ambíguas com que se confrontam diariamente, na resolução de conflitos dualizados na vertente mente/alma, na exteriorização das relações nem sempre fáceis, no prodígio da versatilidade exploratória do racional humano irracional. Aprenda-se com a verdade consequente. Aceite-se o impensável. Assuma-se a impotência real. Descubra-se o destino fatídico de um caminho desconhecido e compostamente intrincado, repleto de meandros dissimulados e escondidos. Viva-se o dia a dia. Viva-se o que se é, como se é.

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