Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Eutanásia, Racismo e Outros Pensamentos

18.02.20 | Cuca Margoux

Não são de abordagem fácil e linear. Nem tão pouco pretendo estar com pretensiosismos surreais. Remeto-me simplesmente à minha insignificância de humilde observador pseudo-pensador. Recorrentes temáticas sensíveis envolvendo vários actores, mais ou menos mediáticos e/ou mundanos e/ou (im)populares, e apesar de cada vez mais mediatizadas e discutidas, são sempre matéria de difícil e condicionada humilde dissertação. Primeiro, e em relação à eutanásia, é fundamental que se compreenda que a decisão face à mesma é sempre tomada pelo próprio, em plena consciência, e enquanto detentor das suas plenas, totais e inequívocas faculdades. Assim, o que está em causa não é “o matar alguém”, mas simplesmente alguém que quer ter o direito a uma morte condigna, assistida portanto, respeitando uma série de protocolos devidamente reconhecidos, decidindo pois o próprio em plena consciência de decisão sobre a sua morte, ou seja, sobre o quando e como quer morrer, face a um determinado e muito específico quadro clínico de saúde irreversível. Parece, por isso, haver algum sentido lógico razoavelmente admissível na sua despenalização. Se coloca questões éticas e morais? Claro! Por isso, é tão importante a sua discussão. Referendar? Sim! Um referendo devidamente esclarecido/informado, para que todos saibam o que estão verdadeiramente a referendar. Racismo, é algo que parece infelizmente intrínseco à cultura social das civilizações e que existiu, existe e, pelos vistos, continuará a existir pelo simples facto de sermos um mix humano bastante complexo, entrelaçado de muitas e diferentes raças. É tendencial associarmo-nos e identificarmo-nos com um determinado grupo. E quando não conhecemos de todo outro(s) grupo(s), temos medo do desconhecido. Estes sentimentos de pertença e de medo são naturais nos seres humanos. Claro que o refinamento do extremismo racial apurou-se, e temos tido ao longo da história da humanidade casos de verdadeiro descontrolo humano face ao próximo, simplesmente por este próximo ser de uma raça/etnia/religião e afins diferente. Esta irracionalidade levada ao extremo enfatiza comportamentos desviantes e repreensíveis, no entanto, foram uma realidade, são uma realidade e dificilmente serão neutralizados ou apaziguados num futuro próximo, porque as dinâmicas sociais e humanas são ainda de delicado e sensível entendimento e os comportamentos de grupos homogéneos, unidos e consolidados, são tendencialmente menos condicionáveis e/ou modificáveis. Aqui, o todo condiciona o individual, independentemente dos princípios e valores defendidos pelo indivíduo. A grande linha de pensamento que quero reforçar é a que consagra o total e completo desconhecimento do eu tribal humano e do próprio eu humano. A emoção é fundamental, é o que dá vida aos sentimentos e ao sentir, no entanto, mascarada com a impulsividade e a exuberância da irracionalidade extremada, resvala facilmente para estereótipos infelizes, voláteis e manipuláveis. Como em tudo na vida, encontrar um equilíbrio win-win para todos os intervenientes é a realidade sonhada. Se algum dia será alcançável, é uma outra questão...