Destino Amargurado
As mãos tapavam a cara,
Lavada em lágrimas ficou,
Quando, naquele dia cinzento,
Lhe levaram o amor, a casa, o alento.
Encheu-se de coragem,
E partiu, por fim,
Numa tarde sem gente e vazia,
Pelo caminho mais curto, para dali fugir e dizer que sim.
Dizer que sim à vida,
Dizer que sim à cor, à luz, ao renascer,
Voltar a ser maravilhosamente feliz,
Por dentro, outra vez, crescer, florescer.
Qual destino amargurado,
Esqueceu-se de o lembrar,
Sonhou, de novo, com as oportunidades antes perdidas,
Acreditou que o tempo cura mesmo as mais profundas feridas.
Nova terra, nova casa,
O amor espera fechado,
Uma espera ainda pesada, sentida, penosa,
Mas a silhueta revisitada, num encontro fortuito, acende briosa.
Acende briosa, o coração,
Bate, de repente, com mais força,
Deixa-se levar pela cadência das emoções,
Deleita a alma, entrega-se ao doce silêncio das tentações.
Não mais o destino é amargurado,
Não mais os sentidos esqueceram,
Um mundo novo se revela adulador,
Pouco importa, sente-se rejuvenescer, as fantasias, de novo, nasceram.