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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Destino Amargurado

01.02.17 | Cuca Margoux

As mãos tapavam a cara,

Lavada em lágrimas ficou,

Quando, naquele dia cinzento,

Lhe levaram o amor, a casa, o alento.

 

Encheu-se de coragem,

E partiu, por fim,

Numa tarde sem gente e vazia,

Pelo caminho mais curto, para dali fugir e dizer que sim.

 

Dizer que sim à vida,

Dizer que sim à cor, à luz, ao renascer,

Voltar a ser maravilhosamente feliz,

Por dentro, outra vez, crescer, florescer.

 

Qual destino amargurado,

Esqueceu-se de o lembrar,

Sonhou, de novo, com as oportunidades antes perdidas,

Acreditou que o tempo cura mesmo as mais profundas feridas.

 

Nova terra, nova casa,

O amor espera fechado,

Uma espera ainda pesada, sentida, penosa,

Mas a silhueta revisitada, num encontro fortuito, acende briosa.

 

Acende briosa, o coração,

Bate, de repente, com mais força,

Deixa-se levar pela cadência das emoções,

Deleita a alma, entrega-se ao doce silêncio das tentações.

 

Não mais o destino é amargurado,

Não mais os sentidos esqueceram,

Um mundo novo se revela adulador,

Pouco importa, sente-se rejuvenescer, as fantasias, de novo, nasceram.