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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Desligados

A luz apagou-se. A electricidade desligou-se da vida mundana e o mundo ficou literalmente às escuras. Numa variante avassaladora quanto esta, o que nos permite a imaginação contemplar, num desafio mental singular? A reacção primitiva. O instinto de sobrevivência. Adeus gadgets, adeus TV, adeus smartphones, adeus portátil, adeus máquinas imprescindíveis, adeus electrodomésticos, adeus dia à noite, adeus carros, adeus matéria-prima, adeus transformação e indústria, adeus serviços. O que fazer, sem nada? Sem acesso a nada? Sem domótica, high-tech, transportes, civilização citadina, a urbanidade perdida? A mente determina a acção. As suas variantes são infindáveis e insondáveis. A reacção, apesar de toda a racionalidade subjacente, imprevista e incontrolável. Como sobreviver? Voltar ao básico. O mundo está parado. Nada funciona, nada se move. As pessoas deixaram-se levar pelo desespero e galgam os passeios da sua própria imaginação. Quem sobrevive? Os mais aptos? E quem são eles agora? A literacia computacional, toda a tecnologia desenvolvida, as mentes quânticas e os robots milagre ajudam, agora? Desligados do mundo, os seres humanos, perecerão. Numa tentativa inglória de retomar o controlo dos grandes centros de decisão, financeiros e económicos, na realidade, a aptidão natural que permite a sobrevivência real e realista da espécie encontra-se no meio rural, no campo, no interior, no desterro. Nunca verdadeiramente desligados, os seres humanos que habitam estas orlas civilizacionais, entregam-se à difícil tarefa de reanimar toda uma propensão mórbida que invade e assombra os caminhos trilhados pelas pessoas desmotivadas e abandonadas. O retorno às origens acontece. O dilema da evolução e da modernidade deixa de ser relevante. Os que sobrevivem e sobreviverão, serão aqueles que conhecem os segredos da terra e da natureza, os que sabem as histórias ancestrais, os que guardam a riqueza suprema do conhecimento pela prática do engenho manual. Assim, mudarão os tempos. Assim, se reinicia o ciclo. Assim, se ligam os seres humanos, se ligam as pessoas. De novo. Ou não.  

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