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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Desertos Emocionais

28.04.17 | Cuca Margoux

Vil tempestuosidade que abarca e aparta o coração quebrado pela momentânea destreza emocional, numa dúvida razoável sobre a existência implícita de desertos desprovidos de rebeldia acústica e engrenada na alma perdida do amante intemporal. O vazio releva a profusão magnânime de despigmentação vermelha, que acusa o temperamento efusivo de uma cavidade nevrálgica esquecida e quedada. Dois seres se juntam. Dois seres se afastam. O que ficou no meio? O que ficou pelo meio? Dificilmente, a explicação é audível, consistente, coerente e lógica. Os desertos emocionais invadem o marejar terreno racional e desconcertam os acordes da melodia tocada, há já longos, rotineiros e agastados anos. Seguimos o instinto e velejamos numa penumbra mítica, que vai sugando as energias alvas, ainda em composição compilatória, elevando o espírito num abraço superficial e sem significado. Esquecemos o que somos. Esquecemos o que fomos. A areia, estável elemento, numa constância premente, invade a liturgia da oração sentimental e desprende o feitiço brilhante. Os seres acordam para um mundo de realidades alternativas, feitas para promover, docemente, a sustentabilidade inequívoca da magistral glória afiliada das estepes do sentimentalismo recente. Assim, o sol quente abrasa o ritmo desfeito desta união desunida e destes estados de alma passageiros e disformes. Levamos o mundo. Acabamos a vida. Corremos descalços. Subimos escadas. Olhamos o céu. Pintamos o corpo. Pintamos a alma. Pintamos o coração. Afastamos a escuridão e procuramos a paz, numa eternidade bela e invulgar. Sozinhos. Só nós. Só nós, nos desertos emocionais.