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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Desejar o Que Se Não Tem

Como em tudo nesta vida ingrata e estranha e complicada, o mundo do rodeio inequívoco familiar atinge-nos mortalmente, ao longo das etapas geracionais. Ferimentos de alma e coração apagam a profusa condescendência de interacções humanamente perigosas e, na grande maioria das vezes, incompreensíveis. Básicas, na sua essência, as interacções humanas raramente revelam o verdadeiro e apoteótico querer destes seres tremendamente obtusos, que de todo se compreendem, entendem ou se admiram. Tamanha confusão pessoal, individual, colectiva, tribal, grupal, social, familiar ascende a uma história recontada milhentas vezes e que retorna sempre ao mesmo: rotina, não aprendizagem, sofrimento, dor, retrocesso cultural e social. Tudo porque o ser humano foi amaldiçoado com a premissa de querer tudo o que não tem. Do contra se movem. Do contra se desafiam. Do contra evoluem. Pasme-se pois, quando as contrariedades não existem. O difícil é ser tudo fácil. O facilitismo procura-se, mas a facilidade não é consubstanciada. E pobres sonhadores que almejam por irreais perspectivas. A racionalidade da existência não permite alaridos vertiginosos, nem coloridas esperanças. Continuaremos a desejar o que não temos. Todos. Invariavelmente. Porque a satisfação temporária faz parte do ser humano agora, mas não de um futuro mais além. Pobres de espírito, aqueles que pensam mais profundamente e que desejam transferir conhecimento para o comum mortal. As pessoas nascem boas. Ou más. Ou talvez indefinidas. Depois, moldam-se, mas o contexto determina largamente as suas vivências. Há vidas de saber acumulado desperdiçadas. De bom senso e ponderação humilhadas. De altruísmo ignorado. Há quem não deseje, porque desejar é um luxo inalcançável. Há muito quem não tenha nada. O que deixa cada um de nós? Todos temos um papel. Muitas vezes, não o encontramos e esperamos simplesmente que alguma coisa boa de nós fique num pedacinho de gente que tenhamos tocado de alguma forma. A ficção do que vivemos, o nosso encontro com a vida, a desilusão contínua e a desmotivação permanente desencorajam e arrebatam, provocando aquela dor física terrivelmente aguda que nos consome diariamente. O que fizemos de errado? Porque falhamos? Porque correm as coisas inexplicavelmente mal? Desejar o que se não tem é inconsequente. Deixa-nos a pensar em demasia e o pensamento, o questionamento, por vezes, encarcera-nos numa prisão solitária e distante. Nada compreendemos. Nada empreendemos. Ficamos parados. Estagnados. Numa vida esquecida e apagada.

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