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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Clinton VS Trump

30.09.16 | Cuca Margoux

Cansativamente, a monopolização política presidencial americana, invade com uma potencialidade não resguardada, o maneirismo televisivo noticioso. O apelo à comiseração generalizada, politizada pela dualidade antagónica protagonizada por Hillary Clinton e Donald Trump, evidencia o sofrimento atroz antecipado por uma eleição que, inevitavelmente, é incontornável e irá acontecer, para o bem ou para o mal dos fetiches preveníveis da politiquice internacional. O suspense intensifica-se e os nervos apertam, à medida que a contagem decresce no tempo real. Com naturalidade, são adversários intensos, com visões bem diferenciadas, princípios e valores distintos e modus operandi catalisador de comportamentos, vivências, experiências e modos de estar exponencialmente divergentes. A questão que se coloca é a seguinte: estará o mundo preparado para mudanças extremistas e radicais, se a assunção generalizada dos americanos for a entrega do poder aos republicanos? Onde cabe então o equilíbrio e a suposta continuidade da ordem mundial protagonizados por Obama? As campanhas direccionadas para um público que, à partida, sendo multicultural e multirracial, aumenta a variabilidade e a volatilidade imprevisível de uma votação marcadamente corroboradora de quantificadores inquantificáveis, intimida até os mais optimistas. As facetas dark side de ambos os candidatos, convulsionam todas as expectativas, frustrando-as a uma remissão sensacionalista de escandaleira premeditada pelas facções apoiantes de cada um. Garantidamente, numa versão mais soft e mais estável, de equilíbrio negocial sustentável e de responsabilização inteligentemente negociativa mundial, organizativa e institucional, suportada e regrada, Hillary surge como uma candidata de controvérsias moderadas e alinhamentos estratégicos massificadamente demarcados de desorientações capitalistas ou governamentais extremadas ou fraccionamentos desalinhados na globalização encerrada pela flutuação dos mercados, mediatizando as convenções aceites e o bom senso mais ponderado. As alternâncias evasivas, dissolutas e descomedidas das moods governativas mundiais despertam os sentidos mais obtusos, cujo diferencial de manuseamento fica condicionado pelas interacções negociais ocultadas inter-estaduais. Assim, Trump, menos moldável e ajustável, com a sua desmoderação característica e conflituosa, inconstante e inesperado nas acções e reacções, revela-se como a tempestade perfeita para o desnorte dos líderes mundiais, cuja reversão pacífica vêem ameaçada, num compêndio interpelado magistralmente pelo bad boy que quer controlar a América e o mundo, de uma maneira, enfim, menos convencional e prognosticável nas suas reais consequências e aplicações. Deixemos, pois, apesar das preocupações legítimas, a decisão a quem de direito e esperemos que o mundo, com Hillary ou com Trump, se torne um mundo melhor, mais justo e mais pacífico para todos. Mesmo. A utopia é sempre um sonho infantil e imaturo, mas existencialista. O futuro é incerto, mas vai acontecer, resignemo-nos. Esperemos que seja um bom futuro. Um futuro auspicioso. Para todos.