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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Catavento de Pirilampos

Do outro lado do mundo, num país desconhecido e longínquo, habita um povo sábio que conta muitas histórias de encantamento e fantasia mirabolantemente surreal. Mas, como há histórias que se contam no real... Naquele fim de tarde, plantados, dispostos em semi-círculo, junto ao rio translúcido e ao ancião mestre do historial tribal da comunidade espartana e oclusada sobre si mesma (interacções com o mundo descrente jamais voltariam a ser permitidas sob pena de ostracização canónica), aguardando ansiosamente os iluminados sons guturais, gestualmente acompanhados pelo “dialecto” local, aquele grupo heterogéneo dos jovens promissores da nova ninhada geracional da estirpe pensava nas lições de vida que lhes seriam cravadas, qual ritual pagão milenar. Ninguém se apercebeu que muito perto deles se acumulavam já pequenas criaturas mágicas, cujo bailado nocturno faz sonhar com mundos enlevados. O cair da noite desperta sempre os sentidos da fauna e também da flora, curiosamente, do país desconhecido e longínquo. Após algum enfado já visível nos movimentos irrequietos e irregulares e nas conversas paralelas dos jovens promissores, o ancião mestre iniciou o discurso meticulosamente preparado para aquela lecture. A coisa desenrolou-se durante mais de uma secante e bocejante hora, finda a qual, numa reverência treinada, os jovens promissores levantaram-se e fizeram uma vénia criteriosa ao ancião mestre. Com um gesto de aprovação, o ancião mestre liberou-os e deixou-os partir. Naquele preciso momento, instante inperdurante no tempo, as pequenas criaturas mágicas, que há muito cirandavam freneticamente de um lado para o outro nas suas lides e afazeres, estacaram petrificadas. As movimentações do povo sábio eram sempre assumidas com muito respeito e particular precaução, não fosse haver alguma singularidade imprevisível nas suas, por vezes, descontroladas, acções. Afastados para bem longe os intrusos e já fora da linha de horizonte, um novo cenário emergiu. Despetrificadas, as criaturas mágicas brilharam, em todo o seu esplendor e encheram os céus, aquela hora, já pintados de breu. Nem as estrelas os ofuscavam. De repente, aquele catavento de pirilampos renascidos fez esquecer, aos jovens promissores que desde sempre se escondiam em lugares secretos para observar o bailado nocturno das pequenas criaturas mágicas, a lecture anterior, como habitualmente e, nunca desiludindo ou frustrando expectativas, elevava-lhes o sonho da alma e a beleza das suas vidas. 

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