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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

As Descompetências

30.04.16 | Cuca Margoux

Para falarmos de descompetências temos primeiro de falar do...

Conceito de Competência

Saber

Integra o conjunto de conhecimentos que permitem realizar os comportamentos associados às competências.

Saber-Fazer

Integra o conjunto de habilidades e destrezas que fazem com que a pessoa seja capaz de aplicar os conhecimentos que possui na solução de problemas que surgem no contexto do dia-a-dia.

Saber-Estar

É a capacidade de ter os comportamentos adequados e de acordo com as normas e regras sociais, em geral, e do seu grupo familiar/de trabalho, em particular.

Querer-Fazer

O indivíduo deverá querer realizar e desenvolver os comportamentos que compõem as competências (auto-motivação).

Poder-Fazer

Significa dispor de todos os meios e recursos necessários ao desempenho dos comportamentos associados às competências.

Tendo em conta a definição conjunta e itemizada, anteriormente, do conceito de competência, descortinemos a conceptualização da “descompetência” numa óptica construtiva de desconstrução.

“Des” é um prefixo gramatical que, em geral, nega o sentido original da palavra, refere separação ou acção contrária. Neste caso, assumimo-lo como um prefixo gramatical de oposição ou seja, refere-se a uma acção contrária, isto é, a descompetência nega o sentido original de competência e deixa-nos num dilema: qual o conceito de descompetência?

Para alcançarmos o conjunto de competências tão prementemente embebido e monitorizado pela sociedade, há que passar primeiro pela fase da percepção da descompetência, ou seja, interiorizar, por observação e comparação, que não estamos intrinsecamente munidos de determinada competência.

Na realidade, se analisarmos bem a situação, compreenderemos que com mais frequência do que seria de esperar, no dia-a-dia somos frustrados pelas descompetências em detrimento das competências. A apreensão do real contrasta com o substracto da teoria que canaliza as nossas experiências e vivências para factualizações que revelam que a nossa assimilação teórica não resolve minimamente os dilemas com que nos deparamos sobremaneira.

Assim, são as nossas descompetências naturais (uterinas ou adquiridas) que nos permitem despertar para as coisas e para o mundo à nossa volta, aprender, assimilar, questionar, estar alerta e extrapolar. Se não nos consciencializarmos das descompetências, não reconhecemos nem trabalhamos as competências, porque entenderemos que nos são inequivocamente inatas. Há quem defenda que algumas competências o são. Que nascem connosco. Que precisam, apenas, de ser despertadas para que o processo de assimilação se faça espontaneamente; são as competências uterinas, as que já existiam. A informação genética parece ser também determinante na caracterização individual das competências endémicas do indivíduo. As adquiridas, são o depois. E nas descompetências, o funcionamento cadenciado e sequencial é idêntico.

Humildemente, podemos trabalhar individual ou colectivamente o conceito, porque, frontalmente, é aquele que nos faz evoluir, progredir e perspectivar realidades alternativas, aprofundar os nossos saberes, afastar as nossas dúvidas e calar os nossos medos.

Estaremos, então, preparados para enfrentar positivamente a desconstrução construtiva das nossas descompetências?