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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Adolescência

26.02.19 | Cuca Margoux

Uma das fases mais críticas do desenvolvimento humano, centra-se nesta época de gritantes contrastes e dúvidas prementes. O que dizer aos nossos filhos, o que aconselhar, como acompanhar, quando as conchas se fecham desesperantemente, sob o nosso olhar impotente, quando observamos os erros e a dor, sem nada podermos fazer, sem podermos proteger? A comunicação perde-se algures, a partir de uma certa idade que deveria trazer o amadurecimento das ideias, mas que na realidade, cada vez mais, se revela de uma suprema e profusa imaturidade deprimente. A dificuldade em chegarmos ao âmago dos seus corações, à verdade das suas almas, à ponderação e bom senso da sua racionalidade, é deveras assustadora. Esperar transmitir saber e conhecimento, experiência e vivência, é uma ilusão frustrante. Não escutam. Sabem tudo e são supremos. Príncipes e princesas. Intocáveis e imaculados. Mas, são humanos, afinal, também são terrenos. Frágeis, muito frágeis, na verdade. Inseguros e desmotivados, embebidos numa falta de confiança castradora e que cega. Uma geração que precisa de ser reencontrada e confortada. Uma geração sujeita a demasiados estímulos negativos e descontrolados, que tende a assimilar a obtusa escuridão da vida. Um crescer que se faz dentro de casa, via net, com amigos virtuais e fantasias de cloud worlds. A permeabilidade dos ideais e ideias, e a incapacidade de decidir sozinho, o afastamento do mundo real e a contingência académica do falhanço anunciado, despertam o dark side of the teen sun. O cenário é dantesco. A repetição em contínuo das nossas comunicações, feitas discos riscados, alberga a esperança de que algo seja captado, filtrado e assimilado. Algo de bom. O melhor de nós. Talvez, assim, o futuro sorria e a esperança renasça.