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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Viagem Algarvia

Já saímos tardiamente de Lisboa. Os atrasos são inevitáveis, quando os compromissos (im)previsivelmente se arrastam no tempo esquecido. Mas, assim é, com as histórias das nossas vidas comuns. A banalidade enche os excertos inacabados e as peças teatrais encenadas e incertas ocupam pequenos espaços perdidos, num manancial enredado de teias cruzadas de registos pessoais. O mundo parece nunca querer parar, girando continuamente numa roda viva de emoções, por vezes, desconcertantes e frustrantes, outras, motivadoras e revestidas de um carácter descomprometido, libertador e impulsionador de viagens transcendentais. O casamento matinal descaiu, naturalmente, para um fim de tarde auspicioso e deleitoso, entre arvoredo e brisas florais perfumadas, e a conversa animada nas mesas ocupadas por amigos de longa data e por estranhos tornados conhecidos, transportou-nos para uma outra dimensão, uma dimensão distante da realidade e dos apoquentos da vida urbana que cresce silenciosamente ali ao lado. A infindável estrada, preenchida aqui e ali por pontos luminosos passantes, quais estrelas cadentes percebidas, que liga a urbe lisboeta a recantos, ainda desconhecidos e misteriosos, que apenas se misturam no imaginário popular graças a lendas passadas geracionalmente, traçou o nosso destino certeiramente. A paisagem foi mudando, enquanto cruzávamos Alentejo e Algarve. As terras a sul aqueciam a alma, à medida que nos aproximávamos do fim da viagem. A secura das terras é esquecida afunilando, na mente expectante, imagens armazenadas com a intemporalidade dos fazedores de sonhos. O calor e o sol algarvios levaram-nos, enfim, até aquele extremo de mouros encantados, cuja herança nos enche de segredos e de contos míticos o criativo neural. A fusão cultural do sul inebria até os corações mais descrentes no estio e os gentios menos efusivos e descarta agruras e vicissitudes apreensivas. Apreciar o sul, apreciar o Algarve é embarcar numa viagem até a um mundo azul, quente e exótico dos sabores a alfarroba, laranja e amêndoa, é deixar-se dormitar nas belíssimas praias ao pôr-do-sol, é aceitar o descanso merecido de um dolce fare niente aprazível e retemperador.

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