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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Tristeza de Um Adeus

A luva emblemática surgiu sorrateira, numa velada submissão raiada de insegurança profana. O inseguro muta e a confiança deixa de resvalar no tactear determinado pelas lágrimas ímpares, que se derramam nos olhares perdidos, num infinito guardado, numa qualquer caixa vermelha rendilhada. O par complementa-se e aquece o tacto insensível do misterioso vilão cadastrado, um ladrão de luxo piroso que aparta corações e transtorna almas apaixonadas. O adeus é sempre dificultado pelas poses de vanglória inflamada que proporcionam as fatiotas sui generis daquele gentio ofuscado. Subiu ao monte. Nunca deixou as luvas para trás. Acompanharam-no sempre. Mesmo no caminho para o fim da esperança. Chorou embalsamadas vidas pendentes, amou aqueles que o odiaram, os seus inimigos mais ferozes e, ainda assim, a tristeza encheu aquele adeus sentido. Merecimento causal apartado, sofrimento desmesurado no veículo neural da sua tempestade mental, afasia desfigurada do coração severamente sovado. O aperto magnânime do órgão rubro desfaleceu o devoto estilo único, fashionable, do ladrão de luxo. Esqueceu-se de esquecer. Esqueceu-se, por fim, de fazer memórias. O instantâneo contemplativo ruminou a mente e as mãos elevaram-se aos céus, sempre de luvas calçadas, num acto contínuo de desfasamento temporal quedado que transfigurou o contexto e depenou as expectativas deploradas. A perturbação do pensamento alheio, estimulou a morte incerta de certa e finou-se tão insano, quanto num lugar paralelo brotou taciturno. A nascente translúcida fictícia, com os jacarandás pendentes nas laterais circundantes, a erva fresca orvalhada e os cheiros voláteis perfumados, encerram o leito dual que aguarda o ladrão de luxo, de luvas emblemáticas. Não mais a tristeza de um adeus, não mais o crepitar da fogueira fogosa, não mais a profissão profana manchada, pecaminosa e primorosamente, numa outra história teatral, cujo actor se despediu e apagou a sua luz interior. Fechou os olhos e dormitou. Para sempre.

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