Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Senhora da Charneca

19.02.20 | Cuca Margoux

Há anos que a vejo deambular,

Estradas da vida sem aparente destino,

Fado abandonado por alguém,

Um sobe e desce diário por quem?

 

Roupagem desalinhada,

Cabelo cinza sem pintura,

Disfarce subtil de riqueza interior,

Pobreza larga, mas talvez, quem sabe, algum amor.

 

Quem é, não o sei,

Alguém será para alguém talvez,

Caminha sempre sorridente,

Não pára expectante, saco na mão de cada vez.

 

Existe grandeza na sua baixa estatura,

Caminha direita com postura,

Gosta de compridas saias e largura,

Arranja-se mais por esta altura.

 

Viva alma na Charneca,

Sem companhia aparente,

Solitário corpo, solitário coração,

Família ausente ou afastamento na decisão?

 

Não sei a sua história,

Se calhar, rica de experiência,

Segredos e surpresas,

Feitos mil e profética benevolência.

 

Estranho ser misterioso,

Deveras curiosa excêntrica criatura,

Resiliente e lutadora,

Não desiste da batalha, enfrenta a vida e a sua agrura.

 

Continuará simbólica,

Discreta, mas presente,

Visão habitual e rotineira,

Caminhando na Charneca, para todo o sempre.