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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Morte do Arraial

Anos fatigados, desgaste anunciado, nada faria prever tão significante retrocesso numa daquelas que é considerada a mais emblemática tradição ancestral na freguesia. Os ciclos geracionais e os confortos da cidade, ausentam os filhos da terra. As viagens atribuladas e, frequentemente, não concluídas, causam estragos visíveis na dinâmica da freguesia e na economia local. A beleza campestre da paisagem, ainda imaculada, atrai apenas pontualmente. Mesmo a bela igreja secular é esquecida pelos viandantes. Calcorrear os caminhos, agora modernizados, alcatroados portanto, para grande infelicidade dos amantes das pequenas relíquias do passado, que ainda sonham com as estradas de paralelipípedos de basalto, distrai a mente e absorve a alma, mas não quebra o enguiço. O arraial está a morrer. Assim é, há já alguns anos. Ao reviver com nostalgia os tempos áureos, incorremos numa perpetuação frustrada da glória de outros estares. Enfeites, freguesia engalanada, igreja decorada com ramos profusos de antúrios vermelhos, barraquinhas de comes e bebes, já nada traz de volta a velha paixão pelo arraial. A população envelhecida ainda enche a igreja, mas já não enche o arraial. Os jovens partem para a cidade ou para o estrangeiro e não voltam. Nem nas festas. A morte do arraial dita a morte da freguesia. Parada no tempo, a falta de dinamização local conduz a uma morte, antes, lenta, e agora, acelerada. O povo renega as origens e esquece. A vida decorre fervorosa num outro sítio que não ali. A espera por tempos melhores se deseja. O arraial sonha com o reavivar da memória ausente. A freguesia precisa de gente e movimento. De paixão e ideias. De amor pela terra. De amor pelas tradições e costumes. De acreditar.

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