A Luz Interior Fechada Numa Fusão Difusa
O tempo fugiu devagarinho,
Naquela tarde de reencontro inesperado,
Com a vida que se foi partindo,
No espaço enganado pelo desvio orquestrado.
O sentimento cresceu, por fim,
Num momento desprevenido,
Num momento encenado,
Num ainda outro momento outrora desprezado.
O sonho da linearidade,
Da fácil envoltura da emoção,
Do esquecimento pesado da razão,
Desfez a moralidade e inundou a luz da breve fusão.
O interior labiríntico da mente,
Perdida que foi a luz exterior,
Redefine a essência bela que refina,
Transpõe a volatilidade da decisão, encanto povoador.
O filtro desprovido de sentido,
Na difusa magia feita de luminosidade,
Faz sonhar o caminho íngreme,
Que tudo deixa ver, até o interior da verdade.
Seria bom não mais ter de negociar,
O perdão da memória passada,
A saudade da luz que se apagou,
A fusão desfeita que inesperadamente tudo fechou.
Somos estrelas viajantes,
Num universo iluminado,
Num interior fechado,
Numa difusa magnitude que deixará alguém extasiado.
A luz interior fechada numa fusão difusa,
Confunde a doce e previsível vida,
Encanta a essência criativa,
Constrói a ponte reaberta pela alma fugitiva.
Ser o brilho das estrelas na terra,
O céu não mais condenado,
A vida não mais desesperada,
Viver o pranto renegado, numa fantasia milagrosa, tantas vezes sonhada.
Assim, tudo passa,
Se nos calarmos em alvoroço,
Se nada dissermos na discussão,
Se tudo aceitarmos, por fim, sem luta ou divagação.
Então, afinal, triste manifesto,
Da alma que perdeu a luz e o brilho,
Fechada que foi numa esfera armadilhada,
Numa difusão refundida que atrasa a libertação há tanto esperada.