A Liberdade do Pensador
A candeia que alumia o limiar,
Na penumbra recriada,
Regride na forma de contornar,
O ensaio positivo, que se fecha naquele contido olhar.
Na aventura do voo plano,
Na miragem de um horizonte curvo,
O pensamento sequenciado reverte,
Na falácia do engano ilusório da mente que verte.
O cume cimeiro,
Feito de liberdade tremida,
Abraçado que foi pelo caminhante,
Espalha a magia do pensar primeiro.
Sumida a condenação,
Sumida a contenção,
Sumida a devoção,
Fica, quem sabe, a liberdade de expressão.
Correr até mais não parado,
Esquivar-se do pensar alheado,
Conhecer a verdade comprovada,
Libertar o saber certeiro, não mais sentenciar a fada.
Viver no espaço aberto,
Experimentar o contrassenso,
Vivenciar a volatilidade do pequeno grande mundo,
Ser apenas quem se é, com sinceridade e bom senso.
Aquele encanto refreado,
Que se perde na estigmatização,
Que se prende na censura,
É felicidade primeira, quando se desata da vivência em privação.
Os campos extensos nos aguardam,
Numa manhã gloriosa,
Feita de liberdade anunciada,
Na mente pensante de um ser em construção assombrosa, curiosa.
A vitalidade da alma,
Redundante no ciclo estratégico da vida,
Extravasa a mentira alternativa,
No espírito que é, finalmente, livre, sem falsa perspectiva.
O discreto pensamento,
Revestido de modéstia reservada,
Equilibra o momento expressivo,
Na derradeira conquista de uma liberdade, agora, anunciada.
A liberdade do pensador,
Não se traduz na inacção,
Bebe, sim, a pureza da água da vida terrena,
Com a força do comportamento sereno, quebrando apenas perante o âmago da dor suprema.