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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Inquietante Invenção do Nada Ser

29.02.20 | Cuca Margoux

A decorada memória de uma qualquer diarreia plural da alma desapaixonada é concebida aqui. Ensaio inconsequente e insignificante de uma coisa qualquer. Desinspirada escrita, estupidificante texto. Extrapolada contenção irreal de dolorosa aparência. Caminho perdido, numa falésia contida na alma assombrada pela volatilidade do tempo intemporal. Um ser desperta algures. Outro, desfalece numa sombra gloriosa envolvida pela magia de um conto vibrante, ainda assim fatal. Inventar o que não tem invenção permanece no pensamento repleto de onomatopeias singelas e irritantemente sonoras. A inquietação da alma e do sonho servem de refúgio a uma insanidade apenas sã, quando se esconde no subconsciente. Porque o facilitismo da vida e a sorte não existem, o condão de seguir e não desistir é retraído, numa espécie de teatral existência condimentada. Os condimentos apuram os sentidos, mas aniquilam a fantasia. Nada ser é doloroso. Na dor mais profunda imaginada. O que ser é incógnita. O propósito do vira lata é desconcertante. As recorrentes perguntas, um perfume viral extasiante. O que ser quando não ser? O que não ser para ser? A determinação da invenção mais pura é apocalíptica, redundante. O nada ser, mais fácil do que parece. Respirar a ondulação do tempo e do espaço e somente existir. Fatídica e inquietante desmesura que apoquenta o corpo partido, na procura pelo caminho certo, o caminho esperado, o rumo encontrado. Delinear planos numa plataforma de emoções cadenciadas, na benevolência e caridade de outros que não existem e que se sonham, no significado de se ser quem é e de não desistir da alma pesada, em busca de paixão e amor e algo mais que nunca se encontra. Obtusa gente que caminha lado a lado. Solidão intensa e imensa que faz chorar. Pranto outrora apagado, que agora renasce estupidamente. Canção de embalar sem embalo e sem sonho. A inquietante invenção do nada ser é simplesmente inconsequente, na sua existência partida e finita. O ritmo fomenta algo. O algo cresce cego. A cegueira aparta os sentidos. Os sentidos maturam e matam. A morte é aguardada e a vida esquecida. O ciclo encerra a chave falsa de uma qualquer oração salvadora. Talvez, de almas ofuscadas e sem sentido prático, talvez enganadas na rotunda da outra vida olvidada. O manto de estrelas é real. O céu cai sobre nós. Nada ser é consolador. Nada esperarem de nós, não se lembrarem da voz. Assim, a invenção é pacífica, contida apenas na contenção mural da mente. A inquietação passa. O ser que nada é aparta, encolhe-se, resguarda-se e morre sozinho. Sempre sozinho.