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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Falua Encantada

Há muitas longas luas vermelhas atrás, o mundo ainda era belo e simples. Os odores eram agradáveis e as paisagens, os cenários naturais, deslumbrantes. As pessoas reais viviam felizes, despreocupadas e amavam o próximo. Os encantamentos de outros tempos e os feitiços milenares, esquecidos nos arquivos da memória geracional, protegiam a comunidade e aquela misteriosa falua encantada, que todas as noites surgia no horizonte da nascente meridional do grande rio de prata, zelava pelo cumprimento de tais propósitos, navegava amenamente até à foz e retornava espectralmente, sem guia, deserta. O grande rio de prata, repleto de recantos, reentrâncias, enseadas e regatos que ludibriavam deleitosamente os sentidos e apaziguavam as mazelas intemporais dos grandes líderes comunitários, (re)criava o canal perfeito de navegação estelar divinal. Assim, dizia-se que enquanto a falua encantada continuasse fiel ao seu trajecto diário, sem interrupções ou imprevistos fatídicos, o ciclo da vida manter-se-ia intacto e fluído. E a comunidade colaborava. Garantia a navegabilidade do rio grande de prata e sussurrava aos deuses, religiosamente, pela continuidade daquele ritual seguro e confiante. Mas, o mundo e os homens aspiravam a algo maior e melhor, a algo mais complexo e mais redundante. Certa noite, na terceira lua vermelha do ano pagão descrente, um grupo de homens, liderados pelo tempestuoso, destemido e impiedoso Morium, que queria a todo o custo provar o seu poderio sobre crenças, lendas e histórias mortas, destruiu o frágil equilíbrio conquistado e lançou um fogo infernal à falua encantada. Nesse preciso momento, as cinzas ascenderam, espalharam o terror e o mundo afundou em profunda escuridão. Abafados foram os gritos, tapados foram os corpos, chorada foi a dor. Só dois se salvaram. O Salvador. A nova esperança. O filho de Morium. E uma filha da Terra. O desfecho desta narração é incerto e deixado será à imaginação fértil de leitores criativos, assim os haja com vontade.

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