Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Falua Encantada

Há muitas longas luas vermelhas atrás, o mundo ainda era belo e simples. Os odores eram agradáveis e as paisagens, os cenários naturais, deslumbrantes. As pessoas reais viviam felizes, despreocupadas e amavam o próximo. Os encantamentos de outros tempos e os feitiços milenares, esquecidos nos arquivos da memória geracional, protegiam a comunidade e aquela misteriosa falua encantada, que todas as noites surgia no horizonte da nascente meridional do grande rio de prata, zelava pelo cumprimento de tais propósitos, navegava amenamente até à foz e retornava espectralmente, sem guia, deserta. O grande rio de prata, repleto de recantos, reentrâncias, enseadas e regatos que ludibriavam deleitosamente os sentidos e apaziguavam as mazelas intemporais dos grandes líderes comunitários, (re)criava o canal perfeito de navegação estelar divinal. Assim, dizia-se que enquanto a falua encantada continuasse fiel ao seu trajecto diário, sem interrupções ou imprevistos fatídicos, o ciclo da vida manter-se-ia intacto e fluído. E a comunidade colaborava. Garantia a navegabilidade do rio grande de prata e sussurrava aos deuses, religiosamente, pela continuidade daquele ritual seguro e confiante. Mas, o mundo e os homens aspiravam a algo maior e melhor, a algo mais complexo e mais redundante. Certa noite, na terceira lua vermelha do ano pagão descrente, um grupo de homens, liderados pelo tempestuoso, destemido e impiedoso Morium, que queria a todo o custo provar o seu poderio sobre crenças, lendas e histórias mortas, destruiu o frágil equilíbrio conquistado e lançou um fogo infernal à falua encantada. Nesse preciso momento, as cinzas ascenderam, espalharam o terror e o mundo afundou em profunda escuridão. Abafados foram os gritos, tapados foram os corpos, chorada foi a dor. Só dois se salvaram. O Salvador. A nova esperança. O filho de Morium. E uma filha da Terra. O desfecho desta narração é incerto e deixado será à imaginação fértil de leitores criativos, assim os haja com vontade.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D