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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Experiência Algarvia

Atoladas em gentio forasteiro, as terras algarvias ganham uma energia extenuante durante os meses de Verão. As formigas incansáveis e em romaria, curiosamente no lazer do estio, enchem todos os recantos possíveis e imaginários e o turismo implode desmesuradamente, a contento dos negócios locais. A economia tem de mexer e nada melhor do que fresh pound money convertido, o britânico, para dinamizar e recompor os estragos de um duro e desconcertante Inverno. Encontrar ou reencontrar a beleza das paisagens endémicas algarvias, torna-se um verdadeiro desafio, até para os mais aventureiros. O polvilhado humano aperta o cenário e aquele sítio idílico e esquecido que nos trazia recordações mágicas enche-se de uma vida alheia que consome a magia do que era sonho. O calor intenso, mais intenso do que o habitual, porque a mãe natureza está a enviar-nos, há já algum tempo, uma mensagem desesperada para olharmos verdadeiramente por ela, desmobilizam a vontade da movida e procura-se incessantemente um local fresco e arejado. O corpo cede ao cansaço do transpirar constante dos poros e o coração sente a tensão da alma demasiado quente. Entretenimento não falta. É uma realidade. Pode ser virtual ou não. Há para todos e para todos os gostos. As famílias não são esquecidas e os mais pequenos encontram a animação necessária para uma temporada bem passada. As praias, os lugarejos perdidos e as maravilhas esquecidas continuam a encantar os desencantados e as coisas compõem-se quando nos entregamos à gastronomia local e às iguarias do mar. A bonomia das experiências traduz-se num salutar viver de passagens temporais em contínuo e de fusões culturais de branco pintadas, porque a secura da terra emerge a cada esquina e a água é o milagre e a vida das tribos. Festivais sazonais imperam, um pouco por todo o lado. As tribos juntam-se e dançam ao som, efusivamente estridente, dos outsiders musicais idolatrados e dos insiders mais comedidos. Os cabos e promontórios sucedem-se. Invadem o mar. A costa alarga. Os sentidos aguçam. Flashes de memórias ficam. Fotografias são freneticamente tiradas, para capturar o momento e lembrar o palco natural. Subimos a estrada. Olhamos os montes e as povoações quase imaginárias. As pessoas escondem-se e adormecem. Quando passamos para o lado espanhol, assim é. O rio Guadiana aparta as margens e os povos misturam-se do lado português e do lado espanhol. Uma profusão de experimentações invade-nos e levamos um pouco de doçura, sob a forma de tortas de amêndoa, alfarroba, figo e laranja, para adoçar a alma e lembrar que ainda temos muito para ver e descobrir. Numa próxima oportunidade. Num próximo Verão.

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