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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

À Deriva Numa Guerra Surreal, ou o Mundo do Avesso

28.02.22 | Cuca Margoux

A lucidez foge-nos por entre os dedos,

Numa qualquer intenção de simples controlo,

A incrível movida a todos desconcerta,

A guerra implode num mundo em redescoberta.

 

A compaixão conciliadora esfumou-se,

A confiança da acalmia finou-se,

A incerteza volátil reforçou-se,

A vida serena apagou-se.

 

O conhecimento lógico mudou,

Num rearranjo geoestratégico,

O passado em redoma revive-se,

Triste convénio adulterado que tudo estilhaçou.

 

Perdidos e quebrados andam,

Os puros seres deambulando por esta guerra,

Surpreendidos, numa fuga constante,

Cansados, pelo avesso incerto a cada instante.

 

Mulheres destemidas e crianças inocentes,

Homens e jovens corajosos,

Gente unida em defesa do seu lar,

Gente destemida, que pela nação quer lutar.

 

Sanções, armas, guerra nuclear,

O medo, o temor e a apreensão crescem,

A ansiedade e a dor apertam,

Mas, ninguém deixa de acreditar.

 

A morte assim espreita,

A fome sorrateira aperta,

Nova designação se assume,

São refugiados em casa alheia, procurando um novo cume.

 

À deriva numa guerra surreal, ou o mundo do avesso,

Nesta nossa época contemporânea,

É surpresa dolorosa que tanto espanta,

Angústia pesada, em reviravoltas temidas, o Leste já não encanta.

 

O futuro está em aberto e é sombrio,

Num jogo cinzento e improvisado,

O desfecho está por agora velado,

A progressão da guerra é fogo abraçado.

 

Acreditar com força e esperança,

Que melhores dias virão,

Em que a plena sabedoria iluminará os homens,

Clareando as suas mentes, o coração e a razão.