Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Branding Me

08.01.20 | Cuca Margoux

Numa altura de profunda convulsão política, em que o mundo inteiro sofre às mãos de tudo e todos, se calhar, a abstracção forçada e o alheamento da realidade é uma fuga minimamente aceite, ainda que infelizmente temporária, por isso, vamos falar de Branding e de Branding Me ou You. Qualquer coisa assim. Ou parecida. Não quero falar de Corporate Branding ou de Employer Branding ou de todos os Branding na moda, mas, se calhar, até acabo no usual cliché, infelizmente. Na realidade quero falar de ti, de mim, de todos nós, enquanto seres iguais, yet quite different, e isso é muito importante reter, porque a nossa diferença é o que permite diversidade, inovação, criação, evolução. Na vicissitude da diferenciação reside um incompleto olvidar do ser individual e, hoje, cada vez mais, esse ser se desenvolve, exponenciando o isolamento e comportamentos evasivos de fuga fechada premeditada, normalmente, dentro de quatro paredes ou de um smartphone. Assim, o Branding Me foca-se no eu interior ou seja, o eu desconhecido e, por isso, a abordagem a esta perspectiva reclusa de um condicionamento real constante e efectivo, requer um árduo trabalho de backstage, por parte do próprio indivíduo, que tem de se deixar expor, mas também por parte de quem, do lado de fora, o quer motivar e desafiar. Fala-se de skills, soft skills que devem ser trabalhadas neste contexto de backstage, no entanto, o Branding Me é em primeira instância desenvolvido pelo próprio, por forma a que este se conheça melhor, tenha consciência de si e das suas virtudes e desvirtudes, se construa e se aperfeiçoe, cresça e apareça a si mesmo. Mas, para isso, as hard, known e unknown skills são também fundamentais, essenciais e necessárias. O teaser externo tem a função de aguçar o engenho individual e de trazer à tona não só a ponta, mas também, o tronco do iceberg fugidio. O problema é que ninguém gosta muito de exposição, porque isso, na grande maioria das vezes, é interpretado pelos outros como sinal de fraqueza. Ao expormo-nos revelamo-nos, e a forma como essa exposição/revelação/informação é tratada pelos outros, pode ser verdadeiramente brutal e destruidora. Daí que a maior parte opte por uma fachada fria e impenetrável, sem Branding Me emocional e com Branding Me puramente profissional e racional. Pelo facto da generalidade dos indivíduos serem imprevisíveis na sua emotividade e reacção, a informação disponibilizada e exteriorizada é quase sempre muito filtrada e milimetricamente racionalizada por cada um. Assim, o Branding Me que se quereria ser uma revelação da essência imaterial do ser, revela a sua fragilidade: o facto de por muito que se diga que o mundo e as mentes estão a evoluir, continuarmos a não saber lidar com a diferença dos outros, e com a nossa própria diferença, quer seja sob a forma física, intelectual, de género, ou sob todas as outras esteriotipações profundamente enraizadas. Por isso, adoramos a inocência de uma criança. Tudo está em aberto no seu processo de aprendizagem, e a maldade ainda não existe. É isso que nos apaixona. Um Branding Me simples, puro, branco, imaculado, por escrever. Que tal reescreverem o vosso brand new Branding Me?

O Que É Eticamente Correcto

06.01.20 | Cuca Margoux

Sinceramente, já não sei. Ou, por outra, quero acreditar que ainda sei, ou que ainda sabemos todos, apesar das diarreias e confusões mentais que vão sobremaneira incutindo a dúvida na nossa (queria-se) acomodada paz de espírito, diariamente. O que mais queremos é viver pacificamente a nossa insignificante existência, de preferência, sem muitas e grandes mudanças, linearmente, confortavelmente, passando despercebidos num mundo demasiado complexo, confuso e complicado. Talvez, tentando deixar, sempre que há permissão para tal, aqui e ali, ou em alguém, alguma marca, por mais pequena e indelével que seja. Supostamente, dizem que estamos todos unidos, de alguma forma divinal, ou biológica, ou genética. A espécie em uníssono. Ou, talvez não seja tudo tão estanque assim. Pelos vistos, alguns de nós, mais ousados, estão dispostos a desafiar as leis humanas e, quiçá, as naturais, para ir mais longe e mais além. Parece que é assim que evoluímos. Na realidade, se pensarmos bem sobre as coisas com espírito crítico e mente aberta, e utilizarmos o nosso conhecimento, a nossa experiência e a nossa vivência, talvez a desconstrução crítica da ética se revele plena de iluminura. Ou não. Discutimos o correcto e o incorrecto. O certo e o errado. No entanto, contextualizando situacionalmente, tudo se transfigura. Quando a sobrevivência individual, social, civilizacional e da espécie, num último e derradeiro patamar, é posta em causa, isso pode alterar, com grande certeza, convicções, atitudes, comportamentos, princípios e valores, e fazer emergir subtilmente, laivos de dúvida consciente, face a regras de actuação expectáveis, mediante determinados conflitos, ensinamentos, conhecimentos, saberes, pedagogias, modelos, programas, condutas e afins. Aí, o que é eticamente correcto, apesar do referencial ter sido devidamente interiorizado, pode ser questionado. O que não levantava dúvida, pode passar então a criar confusão na decisão, na escolha, na opção. Talvez o que era considerado ético, o deixe de ser e vice-versa, estando perante o perigo da extinção. O argumento de que é preciso estarmos focados no bem maior, neste caso, na sobrevivência da espécie, e que os danos directos ou colaterais são males necessários e inevitáveis, carece sempre de aprofundada reflexão, no entanto, a realidade mostra que o que é eticamente correcto resvala, na grande maioria das vezes, para segundo plano, perante uma ameaça directa e real à vida, seja ela física ou estilo/qualidade/modo/filosofia de vida. É o instinto de sobrevivência animal irracional (e serão mesmo os animais verdadeiramente irracionais de todo?) a prevalecer sobre a racionalidade humana, ou seja, voltamos quase sempre à imperativa objectividade da satisfação das necessidades mais básicas. A temática não é fácil, o consenso difícil, mas a defesa da humanidade da espécie é a guidance line, quer-se crer, para a busca de um equilíbrio mais realista e positivo, perante as animosidades de um percurso, infelizmente tantas vezes, tortuoso e penoso, em busca de um ética que se quer mais correcta e que se sonha mais sentida.

O Poema da M

03.01.20 | Cuca Margoux

Energia pulsante,

Rodopio estonteante,

Alegria contagiante,

Furor vibrante.

 

Era uma vez a M,

Mana da Lua,

Cor de chocolate,

Doce como o mel, quando quer ser tua.

 

Inventiva e criativa,

Imaginação sem limite,

Musical e dançarina,

Artista das mil artes, uma bela menina.

 

Olhos falantes,

Escuta se quiser,

Conversa infinita,

Pequena M, grande ser.

 

Hoje, sopra velas,

De aniversário a crescer,

Fases mil, ideias milhentas,

Transformações e mudanças, orelhas atentas.

 

Um mundo de positivismo,

Um mundo de música,

Um mundo de dança,

Um mundo cheio de mar, calor, sol e andança.

 

Parabéns, querida M,

Um mundo de doces pensamentos e acções,

Amor de muitos corações,

Alma desperta, mente aberta, inteligentes visões.

 

Continua a crescer,

Cheia de vida,

Cheia de essência sem ânsia,

Cheia de exotismo e divina exuberância.

 

A Viragem do Esquecimento

02.01.20 | Cuca Margoux

A visão de uma ausência,

Recaiu pesada no olhar perdido,

Naquela casa abandonada,

Por alguém que quis ser ousado, esquecido.

 

Um pranto abafado,

O esquecimento anunciado,

O viver resguardado,

A viragem do desagrado.

 

O peso do passo lento,

Um reviver deveras memorável,

O esquecimento retorna,

Ao seu ponto inicial de passagem admirável.

 

A viragem requer mestria,

O mar e a terra de tal se apartam,

A mente comanda os desígnios,

Esquecer o esquecimento, corações se desgastam.

 

O tempo permitiu prosseguir,

Uma viagem qualquer,

Num espaço designado,

Por alguém esquecido e indignado.

 

Indignação solvente,

Viragem astral e temporal,

Ondular martelado,

Figuração mascarada pelo tal.

 

Quer-se tudo, quer-se nada,

Um mundo nas mãos de agora,

O esquecido esquecimento,

Virou de novo, virou antes e virou fora.

 

Não mais noutro lugar,

O esquecido esquecerá,

A viragem do seu pensamento,

A viragem do seu esquecimento.

O Primeiro Dia do Ano

01.01.20 | Cuca Margoux

O primeiro dia do ano começou bem cedo, de madrugada, numa madrugada repleta de ovações e desejos para uma nova década e para um ano particularmente especial. Os céus iluminados pelas cores de um arco-íris artificial e surreal, encheram a noite bem acordada de espanto e admiração. O que torna este dia tão especial? As possibilidades em aberto. Tudo é, a partir de agora, possível, durante um ano. Tudo pode acontecer. Tudo pode ser ambicionado. Há todo um misto de esperança e apreensão que alternam nas mentes expectantes. Será o universo mais benevolente, neste novo ano? Que surpresas trará o novo ano? A inocência de uma incerteza certa enche de cor e alegria, mesmo o coração mais duvidoso. As páginas estão em branco e tudo inicia. Tudo é feito pela primeira vez. As coisas são simples, de novo. E é esta a verdadeira beleza do primeiro dia do ano, um novo começo para tudo e todos. O passado é apagado e a história vai ser escrita partindo de uma imaculada novidade inocente, um ponto de origem que pode ser definido de acordo com a imaginação de um gentio que ainda se permite, espera-se, sonhar.

Pág. 2/2