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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Os Vírus do Século XXI

A máquina bem oleada que se esconde e refugia nas entrelinhas do entendimento comummente aceite e minimamente inteligível, deixa adivinhar o óbvio. As notícias veiculadas de forma brilhante, sob o auspício dos poderes ocultos globais, determinam um futuro alternativo ao sabor da corrente mais instrumentalizada. Assim, os vírus surgem como uma arma letal, de proporções indefinidas, de controlo duvidoso, mas de eficácia indiscutível. Na sua profética criação laboratorial, o experimentalismo alterna entre propensões mais ou menos letais, mas sempre com o intuito de fazer proliferar a investigação e o desenvolvimento de novas e melhoradas receitas medicamentosas milagrosas, inovadoras e alternativas. Estes vírus, espante-se, surgem normalmente de geração espontânea e miraculosamente. A sua capacidade contaminadora e contagiante é galopante, e os seus efeitos quase imediatos e irreversíveis. O seu silêncio é de ouro e mortal. Sem testemunhos. Máquinas de guerra de humanos contra os humanos, carecem de estudo mais aprofundado por todos quantos ainda esperam reverter situações de pandemia generalizada, crentes de que a natureza se terá virado inadvertida e momentaneamente contra a espécie, numa vaga esperança de que a humanidade é boa e de que ainda prefere contrariar o caos. Em termos de terrorismo alternativo não há arma mais eficaz. O terrorismo biológico é aquilo que não se consegue ainda controlar ou prevenir. Não parece pois de estranhar que tantos e cada vez mais poderosos vírus tenham surgido nas últimas décadas, especialmente com os avanços tecnológicos levados a cabo quer a nível laboratorial, quer ao nível da maquinação por um poderio infiltrado, discreto e subtil. A questão de que muitos mais irão surgir nos anos vindouros já nem se coloca, é um facto. Que consequências reais advirão daí, já é temática mais delicada. E o que se pretende realmente com a sua criação, manipulação e valências criativas afins, idem. Os vírus do século XXI ainda agora iniciaram o seu deambular astucioso. Como iremos lidar com eles é uma incógnita. Se conseguiremos lidar com eles, uma incerteza. Se morreremos deles, mais um facto. É realidade. Já hoje. E nada podemos fazer contra a sua criação. Apenas podemos aguardar serenamente que o resultado da sua criação seja alcançado com brevidade e celeridade, causando pelo caminho o menor número possível de danos mortais humanos colaterais e uma destruição mais contida, e de preferência menos impactante.

O Silêncio dos Sonhos

Que estranho adormecer,

Profundo azul encontrado,

Luar crescente minguado,

Branco doce e imaculado.

 

A beleza ofusca a razão,

Desconcentrada negação,

Tudo é possível num profuso sonho,

Histórias e enredos mil, profética confusão.

 

Alegria simples ou colorida,

Magia e romance intocável,

Futuro depois e agora presente,

Gerações ligadas, medo ausente.

 

Os sonhos transportam-nos,

Para todo o lado e mais algum,

Passado viajado inesquecível,

Memórias e nostalgia apetecível.

 

Ficção contada e vivida ou somente realidade,

Enredos turbulentos e inusitados,

Propósitos incompreensíveis,

Folclore puro e movimento estático, estados de espírito audíveis.

 

Imaginação sempre fluida,

Sem oponentes barreira visíveis,

Cenários multifacetados e despropositados,

Sonhos belos, mas eternamente inacabados.

 

Mas, onde está a sonoridade de um sonho?

Os sons que sonhamos e que não ouvimos?

Porque é que a fita é muda?

Onde se esconde o som que apenas sentimos?

 

Quem se esqueceu da partitura?

Onde se esconde a música?

Porque se calam as vozes?

Porque se esquece a falante postura?

 

Que estranho mundo de sonhos sem som,

De cantarolar somente mímico,

De barulho ensurdecedor esquecido,

De ouvido desperto, ainda que adormecido.

 

Corrupção

Queremos profundamente acreditar que a meritocracia ainda é o mote que premeia o sucesso dos nossos gestores e empresários, num mundo de carreiras brilhantes e de mentes, supostamente, excepcionais. Na verdade, queremos apenas continuar iludidos acreditando numa premissa falaciosa e deveras reveladora, se soubermos ler bem nas entrelinhas com sentido crítico e livre de condicionamentos ou ideias pré concebidas meticulosamente manipuladas e devidamente veiculadas. É que toda a nossa história comprova que o sucesso empresarial resvala para o literal assassinato da ética, da moral e dos bons costumes. Ser bem sucedido implica invariavelmente em algum momento, aniquilar o próximo, ou seja, a concorrência, fazer negócios obscuros, tomar decisões prolíferas em danos massivos colaterais e até directos, destruir tudo e todos e fomentar, de preferência, o caos. O mundo dos negócios é implacável e, muitas vezes, fatal. A corrupção, nas suas mais diversas variantes, mais ou menos elaboradas e rebuscadas, é uma constante aparentemente subtilmente enraizada na nossa cultura empresarial e é por isso que espanta a credulidade das pessoas relativamente aos sucessos, supostamente imaculados e lineares, de tanta da nossa iluminada massa cinzenta empresarial. Quando surgem os escândalos, parece que a surpresa inocente se instala sempre de forma muito virginal. A audácia dos corajosos iluminados que desafiam e contornam o sistema e as lacunas legais é premiada e incentivada, presenciamo-lo com frequência, e o mal, na grande maioria das vezes, vence o bem, porque o mal tem poder, capital próprio e alheio confortável e robusto de backup e uma network dinâmica e que assenta em trocas negociais multilaterais de win-win entre gigantes intocáveis. Ou, supostamente, intocáveis. E é aqui que entra a política, enquanto instrumento e ferramenta, arma de arremesso delicada, na sua subtileza estratégica, na protecção a toda a acção negocial e a todos os verdadeiros intervenientes relevantes no backstage. A rede perfeita é criada. As pessoas instrumentalizadas. Os negócios tornam-se arrojados. O querer poder sempre mais materializa-se em acção que, exagerada, se torna, no entanto, descuidada, demasiado visível e escandalosa. E é aí que os erros revelam finalmente a verdade, a essência e as fragilidades. How the mighty fall. Também.

O Que É Realmente Importante

Se enumerássemos as milhentas coisas estúpidas que fazemos ao longo da flutuante vida incerta, na grande maioria das vezes muito mais claras, expressivas e acertadas do que tudo o resto que nos dizem para fazer ou que estamos programados para fazer, o mundo não chegaria para coisa alguma ou chegaria para tudo e muito mais. A explicação factual racional não está documentada. O histórico experimentalista parece que tudo regista. Ou quase tudo. Não haveria limite para cada um de nós. Que maravilhoso pensamento! Cada precioso ser tem algo de diferenciador para mostrar ao mundo linear terreno. As dimensões que enquadram a nossa caixa de fachada fechada determinam a condução condicionada do caminho traçado, e destinado muito antes de nascermos e de sermos submetidos ao afunilamento compulsivo da imaginação. O impulso criativo é rotulado. A banalidade das nossas conversas e a falta de inovação recorrente acabam por não filtrar temáticas de interesse para todo e qualquer tipo de comunicação que queira despertar os sentidos mais atentos e mais críticos, na perspectiva de um outro aliado. É que a construção da vida é imprevisível e inesperada, surpreendente. O problema é que acabamos por ser sempre submetidos à mesma padronização hermética, e acabamos por esquecer o que realmente importa e por nos esquecermos de nós próprios, da nossa identidade, da nossa peculiar e única singularidade. Todos nós somos singularidade. Não há dois seres iguais. Se calhar, nem mesmo os clonados. A reprodução exacta do nosso conteúdo é delicada. Alguma variabilidade deve existir. Creio que a ciência possa falhar. Errar faz parte do nosso código genético, e ainda bem. Que monotonia cinzenta, se tudo e todos fossem transparentes. Criar mais um de cada um de nós parece contraproducente para a criatividade. É certo que a evolução previsível e controlada seria muito mais fácil e eliminaria defeitos genéticos, mas se não deixarmos a natureza seguir o seu caminho, arriscamos a um ensaio sobre a cegueira da verdadeira humanidade, que é marcadamente imprevisível, e a uma mecanização do espírito e da alma deveras aborrecida. Mais do mesmo. Balelas idiotas e sem sentido. O que quero eu dizer? Sinceramente, que a nossa vida não é minimamente aproveitada por nós, no seu melhor, porque temos definida logo à nascença a nossa progressão existencial, uma linha com um início e um fim, que todos conhecemos bem, cheia de objectivos traçados por alguém maior e mais omnipresente em nosso nome, e o que devemos ou não fazer durante esse curtíssimo interregno do etéreo em que pisamos solo terrestre e nos vestimos de pretensos humanos. Vivemos as vidas dos outros, de outros. Sonhamos com um destino nosso, mas que jamais iremos operacionalizar, conquistar ou alcançar. O que há de bom nesta vida terrena? O Amor. Só isso. Tudo o resto são banalidades, recursos materiais, empolamentos de aparências maquilhadas de felicidade. O rasto de destruição do condão desumano é brutal. O sonho é a nossa fuga. O subconsciente, a arma esquecida para empurrar as coisas para uma outra variante de consciencialização abstracta. O fluxo de ideias escorre descontrolado, desconexo e sem sentido. O cérebro ainda fascina, mas o Amor mata e faz viver, sentir, ser. Ser melhor. Fazer melhor. Entregar e render. Aprender. Dar e receber. Tudo. Enormemente.

As Expectativas de Todos Nós

Não será exagerado regredir na ideia de que convergimos todos num sentido lato de expectativas empoladas. O discernimento audacioso dos inícios desconexados, empurram as sensações racionais mais mundanas para uma arbitrariedade contraproducente. Porque a vivência determina que tudo o que nos ensinaram está profeticamente enviesado. Em boa verdade, a ilusão de poder que se cria no espírito mal amado de um ser puramente racional, transfere no entanto matéria sensível, pasme-se, para as mentes menos obtusas e inocentes em seu redor. O certo é que todos criamos, temos, desenvolvemos expectativas legítimas, mas, raramente, concretizáveis, alcançáveis, mesmo que a nossa linha evolutiva se encaminhe para o conhecimento máximo e a iluminura plena. A vida é imprevisível. O dia uma surpresa. O amanhã incerteza. O espaço que medeia entre realidade e fantasia não é ténue, mas estupidamente existe. O vazio é preenchido com experimentação condicionada e produção dirigida, e a gloriosa improvisação, jamais deixada ao acaso, reduz à insignificância de um pensamento ignorado subtilmente, a esperança de que nascemos para mudar o mundo e para o tornar melhor. Escutamos as eternas promessas de que a mudança boa, aquela que nos interessa verdadeiramente, um dia, acontecerá, se tudo fizermos correctamente, gerindo em baixa as nossas mais altas expectativas. Pensar o pior, esperar o melhor. Que estupidez tão grande. Mais e melhor do que isto não vamos encontrar, porque o que está feito, feito está, e o que está por fazer, regulado e limitado está. O nosso espaço de manobra é circunscrito a uma pequena realidade intrusiva, numa realidade bem maior, que vai permitindo invasões discretas, anaeróbicas, no entanto, anabólicas. As movimentações de expectativas mais ou menos goradas são uma realidade transversal ao universo populacional, operando numa civilização castrada pelo mote de que algo de bom, um dia, surgirá por geração espontânea miraculosamente. É hilariante aprofundar o pensamento, numa submersão controlada de descontrolo fútil e inconsequente. Assim, as expectativas de todos nós vão-se gerindo de forma aleatória, conduzindo a eternidade agora e a vida só depois. Que sofrer antecipado.

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