Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

As Regras

As regras determinam acções, comportamentos e condutas, regulam, regem, dirigem. Para tudo há regras. Para tudo temos regras. São necessárias, perante a diversidade das civilizações e das sociedades. A sua existência é, aparentemente, obrigatória. São aquilo que nos permite compreender e percepcionar, supostamente, o correcto, o justo e o mais equitativo. Ou não. Na realidade, em boa verdade, as regras, pela sua intransigência efectiva, racional e operacional, permitem, a alguns, cuja boa índole se revele eventualmente desviada da padronização positiva geral, enveredar por caminhos mais obscuros e alternativos, subvertendo assim a verdadeira essência, conteúdo e fundamental enquadramento e contextualização da sua objectiva aplicação. A objectividade é muito importante na decisão humana. A objectividade dos factos, da análise, da capacidade de sintetização de conteúdos, situações e problemas. Pela extensa diversidade social e cultural, determinou-se criar um sistema regulador que permita governar o caos. E o caos, somos todos nós. Enquanto seres que se querem (e são) pensantes, guiados pelo livre pensamento e expressão, somos, enfim, ameaçadores da ordem estabelecida. Se desafiarmos em demasia as regras ou se as quisermos alterar, a profunda mudança mental implica uma reestruturação social, cultural e organizacional que transtorna a dinâmica implementada e controlada, mas, recorrendo única e exclusivamente à aplicação taxativa das regras, podemos também incorrer em injustiça situacional. Enfim, as dúvidas são plausíveis. Uma batalha antiga reforça a necessidade de haver o necessário enquadramento e a fundamental contextualização situacional. As regras são assim importantes, mas quando devidamente enquadradas e contextualizadas. O problema é que na grande maioria das vezes, a argumentação factual revela-se incompleta ou insuficiente. É por isso que contar as histórias por trás dos acontecimentos se torna tão pertinente. Escutar todas as versões, conhecer todos os factos é percussor de uma aplicabilidade mais consistente e justa das regras. Outra batalha antiga tem a ver com a ponderação e o bom senso que ditam essa mesma correcta aplicabilidade. No entanto, um dos problemas que temos, recorrente, é que começando a questionar tudo, o que à primeira vista seria até positivo, não conseguimos aceitar regras, e isso gera a anarquia radical. Por algum motivo verdadeiramente inexplicável, a intemporal volatilidade da acção e do comportamento humanos, bem como a sua imprevisibilidade, são condicionadores reais que ditam a necessidade e a obrigatoriedade da existência de regras. Esta dualidade é mediada pela busca constante de um equilíbrio que encontre o balanço perfeito entre o que é, o que deve ser e o que deveria ser. Conseguiríamos mesmo viver uma existência pacífica sem regras? Consensualmente, parece que não.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub