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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Que a Vida Me Ensinou

Numa outra encarnação qualquer, talvez as coisas fossem mais fáceis. Nesta, muito sinceramente, a dificuldade impera a cada insignificante momento dispendido a respirar. E há que não se iludir, somos mesmo insignificantes, frágeis e substituíveis. Em tudo. Na realidade, a nossa conexão com o real determina intrusão constante na intrincada teia de incertezas que vão sendo tecidas ao longo de uma existência inconclusiva e inconsequente. A nossa marca é relativa. Se descendência houver, deixamos a genética cumprir com a sua função primeira e transmitir miraculosamente apenas, espera-se, o que de bom criámos nos corpos e almas famintos de eternidade e imortalidade. Ou não. Há efectivamente sorte ou azar. Ou, se quiserem, destino bom e mau. Traçado ou não, isso é discutível. Diz-se que fazemos o nosso destino. E quando o destino se nos impõe? Os planos e objectivos, metas que definimos e que não alcançámos, devido à intromissão de variáveis externas que não conseguimos controlar? O dinheiro não é tudo, mas ajuda, sem dúvida alguma. Manter-se fiel aos princípios e valores pessoais, na grande maioria das vezes, desajuda. Deixar-se ir na onda das convenções vulgares e banais da sociedade contemporânea e consumista, facilita. A família, na sua infinita variabilidade (meus, teus, nossos, dois pais, duas mães, pais biológicos, pais adoptivos, barriga de aluguer...), ainda não tão aceite quanto isso, é uma surpresa, por vezes, mais frustrante do que gratificante, ainda assim, essencial e incontornável. Os pais e os filhos nunca se hão-de entender, apesar de curiosamente passarem todos, invariavelmente, pelo mesmo processo construtivo (ou destrutivo) de personalidade, comportamento social e geracional, de crescimento. Os homens comandam o mundo e as mulheres, por algum motivo ainda não revelado, mantêm-se na sombra do poderio masculino. As mulheres são uma fortaleza, têm uma visão muito mais abrangente e uma sensibilidade que lhes permite intuir quase instintivamente sobre tudo e mais alguma coisa. A profissão raramente é a sonhada ou até mesmo a escolhida. A vida tem um sabor amargo e doce, numa fusão sensorial assustadora e imprevisível. Todos vamos morrer. A contemplação de um planeta e de um mundo verdadeiramente maravilhoso é meramente temporária. O nosso ciclo terreno é curto. O pensamento e o conhecimento são ferramentas verdadeiramente extraordinárias e poderosas. A tecnologia irá matar-nos. As alterações climáticas idem. Mas, somos nós que estamos a matar o planeta e mais incrivelmente, a matarmo-nos a nós próprios. O nosso caminho é feito de sobressaltos, raros são os bons momentos e os momentos de pura felicidade. Quando os tiverem, sintam-nos, saboreiem-nos e deliciem-se, porque são efémeros e passageiros, mas marcantes. Sorriam sempre. O optimismo e o pensamento positivo, aliados à resiliência e à nossa consistência enquanto indivíduos sociais e socializantes, cadenciará o futuro num sentido imprevisto, mas por certo, melhorado. Viver um dia de cada vez. Os projectos a longo prazo são inconcretizáveis. Amar e ser amado. Viver tudo intensamente. Respeitar e comunicar. Ainda sonhar. Não somos donos de nada, nem nada controlamos.

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