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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Convénios da Maternidade

Bela utopia desencantada,

Numa vasta solidão de partilha,

Dualidade mítica glorificante,

Encanto sereno, semblante apaixonante.

 

No entanto, quando há só solidão,

A serenidade dá lugar a preocupação,

Aquele fruto inocente é dependente,

Carinho, amor e cuidado são obrigação presente.

 

O abandono resvala,

No desespero de não se ter,

Na angústia de não se poder dar,

Na tristeza de não se poder só amar.

 

Amor maior que tudo,

Coração de Mãe é forte,

É doçura e presença,

É abraço e carinho, ternura e crença.

 

Por vezes, a vida é tortuosa,

Tudo acontece sem sentido,

O lar que não existe é dor,

A família ausente não dá amor.

 

Não sabemos toda a verdade,

Não sabemos toda a história,

Acontece que a acção é pensada,

O coração fala alto e a entrega é, espera-se, abençoada.

 

Assim é ser Mãe,

Querer o melhor do mundo para aquele inocente,

Esperar que alguém o ilumine e lhe dê futuro,

Enganar a perda, sonhando com o seu sorriso feliz evidentemente.

O Trilema

Não há originalidade no tema. É ponto assente que a nossa História, a História da Humanidade é complexa, difícil e repleta de inconsistências e incoerências, mas, é toda esta intrincada rede de conexões reais e virtuais que nos diferencia e que nos faz evoluir. O tempo da linearidade e da previsão consistente terminou. Somos aquilo que somos. E a mudança, apesar de gradual, é lenta. A potenciação de um equação determinista e de algoritmos preditivos, carece que alguma factualidade direccionada. A configuração de um trilema involuntário é profícua em compreensões analíticas da nossa irritante História. O primeiro trilema é o da massa crítica do conhecimento real. O segundo, a moeda. O terceiro, o papel das mulheres na nossa sociedade. O conhecimento está a extravasar e a preconizar uma radicalização sem precedentes na educação, na civilização, na inovação, na evolução. O avanço tecnológico constante e incessante, a urgência de criar novos modelos organizacionais e civilizacionais, a gestão do tempo que se não tem, as regras cada vez mais restritas, a iliteracia emocional, conjugam-se para dispersar, juntamente com outras variáveis incontornáveis, a nova definição de conhecimento humano. Assim, o nosso alcance mental está enviesado numa deformação condicionada pelo consumismo e pela disruptiva maquinação com a História mais errática recente. É a desaprendizagem da essência humana e humanizadora. A moeda enquadra-se pois, na consequente sequência do trilema. O que nos dá verdadeiro poder? Teoricamente, conhecimento. Na prática, moeda. O poder do mundo concentra-se no verde redondo e rectangular, em quantidades que se querem verdadeiramente astronómicas. Pouca mudança se opera sem moeda. As vozes que, pontualmente, se elevam sem apoio da moeda, travam uma luta tremendamente desigual e, muitas vezes, frustrante. Os casos de sucesso são minoritários, num universo de milhões de vozes, acções e pessoas. A abolição da moeda e a construção de um modelo financeiro (ou anti-financeiro) alternativo, apoiado numa premissa de que a sustentabilidade da vida humana carece de sintonia, equilíbrio e balanço equacionável, talvez tivesse algum potencial de revolução disruptiva futura. Uma nova teorização consubstanciada pela criação de valor partilhado. O terceiro trilema, continua a ser enigmático. Enquanto elemento crucial da sociedade, a mulher, por algum motivo que ainda não foi bem descortinado, alheia-se do poder e, de alguma forma, desiste de o alcançar, num mundo de líderes marcado pelo género masculino. A condicionante da maternidade é, muitas vezes, apontada para tal alheamento. Na realidade, a mulher opta frequentemente pela família em detrimento da carreira e conciliar ambas revela-se um desafio muito mais penoso, duro e repleto de sacrifícios para as mulheres, quando o comparamos com o caminho mais facilitado que os homens têm nesta vertente. Família e carreira, como encontrar o equilíbrio? Este é, sem dúvida alguma, um trilema reforçado, claramente no feminino. A exploração deste trilema é matéria de textualização alargada e, no contexto actual desta escrita, não permite desenvolvimento suficientemente glorificante, pelo que será tema de outra conversa, algures num outro enquadramento. É, por tudo isto, premente um pensamento mais aprofundado e um criativo new mindset que nos permita ver e ir mais além, num futuro bem próximo e assustadoramente imprevisível e incontrolável.

Evangelização Arbitrária da Mente Fechada

No despenhar da memória,

Arbitrariedade sobranceira,

Fecha tudo o que não abre,

Encerra a mente, de forma sorrateira.

 

Silêncio contado,

Escuta resguardada,

Mente que descobre, ousada,

Evangelizar o oculto, crer de forma encantada.

 

Arbitrariamente se escolhe,

Acredita no que se não vê,

Despertar os sentidos adormecidos,

Contar um conto, acasos amanhecidos.

 

Canções periféricas,

Músicas distantes,

O que é, pode não ser,

A mente acorda, a pauta é rica de saber.

 

A abertura ao conhecimento,

A entrega ao saber,

O corpo descobre a essência,

Alma que mente, mente que não vê, estranha ausência.

 

A dificuldade dos ausentes,

Quando se prestam a evangelizações,

São suspeita e desconfiança crescentes,

Hoje, relações dinâmicas, amanhã, socializações prementes.

 

A civilização é casta de inocência,

Evangelização arbitrária da mente fechada,

Ingenuidade indelével,

Magicação fértil, a porta aberta, uma consumada fachada.

 

Apontar ao horizonte,

Apontar factualmente,

Apontar arbitrariamente,

Evangelizar a contida e infantil, ainda que brilhante, mente.

O Comedimento Emocional

É factualmente aceite que a mecanização ignóbil do estado de espírito racional descreve comportamentos de controlada exaltação e profusa contenção. No entanto, a conquista emocional do advento humano reflecte singularidades. No espectro holístico da fantasia real racional, tudo se correlaciona e tem uma causa efeito. A consequência desta incontornável sequência potencia, no entanto, a morte de toda e qualquer amostra de pura e plena emoção. Manifestações de afecto são castradas. E quem secretamente se esconde na emoção resplendorosa? O comedimento emocional é fatal. O destino não permite expressividade reveladora e a fluência de acções emotivas é dissimuladamente desvanecida. Assim, aqueles cuja propensa vontade de exteriorizar emoções e sentimentos, comprime o coração, são destituídos maliciosamente da sua essência cândida e doce. Não há lugar para esta tipologia de sonho humano. O humano emocional não tem lugar num mundo de humanos marcadamente racionais, inumanos. Assim, é imperativo o comedimento emocional e o resguardo das coloridas opiniões e dos mais secretos segredos do coração. A profunda tristeza deixada por este vazio de contenção, é inibidora da extrapolação de uma alma mais alvoraçada. É pois, numa contextualização débil e subtil, que o enquadramento de um eu interior sensível se encarcera. A emoção é olvidada, o racional emerge sofregamente e a acalmia fictícia e temporária de um conjunto de seres diferentes e enigmáticos, incompreendidos, é lançada num vendaval corrupiante descontextualizado e martirizante. Verdades audaciosas são esquecidas e sentimentalismos exuberantes condicionados. Enfrentar o mundo torna-se funesto e demolidor. Aceitem-se as partidas da vida e resignem-se os sonhadores à sua magnânima insignificância, pautada pela conquista tortuosa de um longo e duro caminho de devoção enganadora.

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