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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Trilema

Não há originalidade no tema. É ponto assente que a nossa História, a História da Humanidade é complexa, difícil e repleta de inconsistências e incoerências, mas, é toda esta intrincada rede de conexões reais e virtuais que nos diferencia e que nos faz evoluir. O tempo da linearidade e da previsão consistente terminou. Somos aquilo que somos. E a mudança, apesar de gradual, é lenta. A potenciação de um equação determinista e de algoritmos preditivos, carece que alguma factualidade direccionada. A configuração de um trilema involuntário é profícua em compreensões analíticas da nossa irritante História. O primeiro trilema é o da massa crítica do conhecimento real. O segundo, a moeda. O terceiro, o papel das mulheres na nossa sociedade. O conhecimento está a extravasar e a preconizar uma radicalização sem precedentes na educação, na civilização, na inovação, na evolução. O avanço tecnológico constante e incessante, a urgência de criar novos modelos organizacionais e civilizacionais, a gestão do tempo que se não tem, as regras cada vez mais restritas, a iliteracia emocional, conjugam-se para dispersar, juntamente com outras variáveis incontornáveis, a nova definição de conhecimento humano. Assim, o nosso alcance mental está enviesado numa deformação condicionada pelo consumismo e pela disruptiva maquinação com a História mais errática recente. É a desaprendizagem da essência humana e humanizadora. A moeda enquadra-se pois, na consequente sequência do trilema. O que nos dá verdadeiro poder? Teoricamente, conhecimento. Na prática, moeda. O poder do mundo concentra-se no verde redondo e rectangular, em quantidades que se querem verdadeiramente astronómicas. Pouca mudança se opera sem moeda. As vozes que, pontualmente, se elevam sem apoio da moeda, travam uma luta tremendamente desigual e, muitas vezes, frustrante. Os casos de sucesso são minoritários, num universo de milhões de vozes, acções e pessoas. A abolição da moeda e a construção de um modelo financeiro (ou anti-financeiro) alternativo, apoiado numa premissa de que a sustentabilidade da vida humana carece de sintonia, equilíbrio e balanço equacionável, talvez tivesse algum potencial de revolução disruptiva futura. Uma nova teorização consubstanciada pela criação de valor partilhado. O terceiro trilema, continua a ser enigmático. Enquanto elemento crucial da sociedade, a mulher, por algum motivo que ainda não foi bem descortinado, alheia-se do poder e, de alguma forma, desiste de o alcançar, num mundo de líderes marcado pelo género masculino. A condicionante da maternidade é, muitas vezes, apontada para tal alheamento. Na realidade, a mulher opta frequentemente pela família em detrimento da carreira e conciliar ambas revela-se um desafio muito mais penoso, duro e repleto de sacrifícios para as mulheres, quando o comparamos com o caminho mais facilitado que os homens têm nesta vertente. Família e carreira, como encontrar o equilíbrio? Este é, sem dúvida alguma, um trilema reforçado, claramente no feminino. A exploração deste trilema é matéria de textualização alargada e, no contexto actual desta escrita, não permite desenvolvimento suficientemente glorificante, pelo que será tema de outra conversa, algures num outro enquadramento. É, por tudo isto, premente um pensamento mais aprofundado e um criativo new mindset que nos permita ver e ir mais além, num futuro bem próximo e assustadoramente imprevisível e incontrolável.

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