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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Bruxaria, Bruxas e Afins

O mundo da ilusão intemporal,

Comedido nos contratempos espaciais,

Irascível na desventura da magia,

Conivente com artes desatentas muito especiais.

 

O mais mundano dos mortais,

Esqueceu-se da mente desperta,

Encantou-o o esoterismo da vassoura,

Chapéu de bico, preto, bem alerta.

 

Uma cabeça magica,

Danças e feitiços surreais,

Contemplação deste mundo tão frágil,

Lançar audacioso de pragas inconstantes e brutais.

 

Maquinação de uma noite,

Que se estende por todo o iluminado ano,

Experiência de bruxas descontentes,

Os mortais que se resguardem, esconderijos são prementes.

 

Bruxaria colorida,

Inspira roupagem ousada,

Bruxas destemidas na imaginação,

Noite de pura e terrífica contaminação.

 

Os séculos passaram,

As tradições ficaram,

O tempo aqui não flui,

Lá, algures, até os Santos petrificaram.

 

Um conto sem tempo,

Um suspiro na noite,

Engano desenganado,

As bruxas entoam um som deveras desafinado.

 

Os mortais que se cuidem,

Esta noite há soltura,

Os seres de outros mundos estão em demanda,

A Terra, invadida, olvidará, uma vez mais, a doce candura.

Dias 14 e 15 - China Away e Portugal In

Voltaste para mim. Os horários continuaram trocados e ontem, pouco falámos, mas estás são e salvo, de volta ao nosso simples, mas previsível Portugal. São, talvez não, porque a enfermidade lançada pelos Deuses ainda te apoquenta e é muito duvidosa, contagiosa, quem sabe. Os especialistas sentenciarão. Esperançosamente esperemos, nada de muito grave. Triste lição te ensinaram o tempo e o clima desses lugares asiáticos antes perdidos e, agora, turisticamente achados e tão apetecíveis. Descanso enfim, um pouco, o coração sobressaltado. Estás em terras da nossa gente. Ontem, ainda deambulaste por terras chinesas e viajaste, de novo, em monstros de metal que tanto insistem em levar para tão longe os nossos entes queridos. Que surpresas me reservas? Estou tão furiosa contigo! Só me apetece abanar-te com força e despertar-te dessa crise de idiotice infantil que pelo menos por agora, não consigo compreender. Essa necessidade de conquistas e feitos grandiosos e exóticos, que tanta falta fazem ao imaginário masculino de super herói sonhado. Termina, finalmente, esta exasperante viagem mística. O racional feito sonhador regressa à terra dos mortais. E eu, estou confusa. Na verdade, desiludida de novo contigo. Com a tua falta de partilha, confiança e comunicação. O ciclo da odisseia vietnamita encerra um ciclo de vida. Para mim, lançou novas dúvidas sobre ti. Para mim, abriu feridas. Dolorosas. Outra vez. Tenho de reaprender a ligar-me a ti, protegendo-me do amor que sinto por ti. Seremos, de novo? Não sei. O novo tempo que aí vem o dirá.

Dias 12 e 13 - Cambodja Away

O tempo determina que tudo vá passando e sarando calmamente. Os Deuses zangaram-se contigo e pregaram-te uma partida: lançaram o feitiço da enfermidade e tornaram-te frágil e mortal. Um pecado distante tem penitência. O teu ousado e egoísta grito do Ipiranga tem consequências. A febril e incessante busca pela imortalidade demove da razão toda a emoção. A alma fica vazia e insensível. O Cambodja dispersou a tua alma e amedrontou o teu coração. Ousei viver e assustaste-te, apenas um pouco, é certo, mas a tua preocupação cresceu. Vais-me falando, perguntando, seduzindo, desajeitadamente. Vou-me libertando de ti e dos teus infernais feitiços. O exotismo das fotos cambodjianas deixa adivinhar mistério e intrincada construção. Povo meticuloso e regrado. Verde efusivo, de novo. O calor e a humidade, a chuva quente, assim o determinam. A tua viagem de aventura adolescente está a chegar ao fim, e eu distanciei-me, por fim. O amanhã, é uma incógnita. China e Lisboa. Caminhei de novo. Atravessei o Tejo e subi as colinas de Lisboa. Ou, talvez tenha viajado até Negrais. O facto é que tenho preenchido o teu vazio enormemente e já não me sinto tão sozinha. Tu, abandonaste-me, com uma panóplia de invenções e infantis desculpas. Há coisas que já não posso aceitar. Não consigo. E não compreendo. Se calhar, passaremos a ser só amigos. A minha confiança em ti morreu. Ainda será amor o que sinto? Ou amizade? Compaixão? Questiono-me frequentemente e não sei o que fazer. Sinto-me dividida. O coração quer perdoar, a razão, odiar. Talvez, o novo dia e a nova hora, me tragam a iluminura necessária para decidir. Por mim e para mim.

Dia 11 - Somewhere Vietname Away

Hoje, foi um dia bom. Sei lá. Estive absorvida pelas minhas coisas, andei soberbamente atarefada, alegrei a vista no DocLisboa, onde um documentário sobre Moçambique brilhou e encantou, e deixei-me levar pelo Marketing, numa conferência dinâmica, entusiástica e refrescante na minha antiga faculdade. Quão preenchido pode um dia ser, para te esquecer? Na realidade, só agora, verdadeiramente, pensei em ti. O coração teve paz, portanto. Fomos trocando breves mensagens e enviaste fotos verdes, de rios verdes, gentes coloridas, movimento parado e luzes cintilantes numa noite oriental. Esta tua viagem, revela-se, cada vez mais, um grito do Ipiranga tardio. Parece um cliché tão banal, quanto esta tua crise de meia-idade ou de adolescência não vivida. Ainda não percebi bem de que correcta constatação se trata. Mas, não há desculpa. Não te posso desculpar. Sinto-me profundamente traída e magoada, não pela viagem em si, mas por todo o secretismo no planeamento da mesma. Nada há mais entusiasmante do que a preparação de uma longa saída em direcção ao desconhecido. As aventuras devem fazer parte da vida. É bom manter viva a capacidade de improviso e de tornar surpreendente a simplicidade. Mas, a partilha é fundamental. E tu, não partilhas. Agarraste-te a uma ideia estúpida de morte antecipada e desmontaste todas as tuas fantasias não fantasiadas, agora. Será isso? Acontece que procuramos coisas e estares diferentes. Estou cansada, desconcertada e desinspirada. Desiludida. Apenas te queria ver e tocar, abraçar. Sinto-me num contínuo afastar de ti e obrigo-me a repetir interiormente que tenho de me proteger e elevar, de novo, as defesas. Nem sei se te quero ver. Encurralada num turbilhão de emoções e profundas confusões, tento decifrar sinais mais evidentes de decisão futura mais sustentada. O meu coração está a fechar. Uma vez mais. E, agora, para ti.

Dia 10 - Still Ásia Away

Hoje, não sei bem por onde andas. Saigão, talvez, ainda. Enviaste duas fotos, aparentemente, de Saigão. Noite e dia. Estou ocupada, quero estar ocupada. Trocámos breves mensagens. Mais fotos, só amanhã. A disparidade das nossas consciências e das experiências traduz-se num afastar progressivo. Movimentações subconscientes, encaram prenúncios de tempestade possante, no horizonte. Tempestade interior. Minha, é certo. Incógnita sobre o futuro. O que quero eu? O que posso esperar? Voltarás, é certo. Para quem e de que maneira, não sei. Não posso ter expectativas. A forma como te vais aproximar de mim, ou não, determinará o teu futuro, a tua presença ou a tua ausência. Não queres sair da minha vida, assim parece, mas, como queres estar nela? Alguns laços foram quebrados. Coisas foram ditas. Não sei o que posso esperar de ti. Afundaste num vazio de solidão ou de companhia alheia. Entregas-te a ti e a alguém. O que sou eu, nessa tua vida de planeamentos solitários? Haverá esperança? Conseguirei ser feliz, com esse teu novo eu? A minha decisão, pende claramente, neste momento, para um lado que tenho evitado a tudo o custo, mas, a que preço? Vale a pena? O amor é dar e receber e, sinceramente, só me tenho sentido a dar, e pouco a receber. É só isto que temos? É só isto que me queres dar? É só isto que queres construir? Fortaleces-te e eu enfraqueço. Sorris e eu choro. Vives e eu sobrevivo. Que justiça há, afinal, no amor, meu, ainda, amor?

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